domingo, 31 de janeiro de 2010

Não compreendo

A situação nas Honduras preocupou-nos durante algum tempo; falámos, discutimos e reflectimos. Na agenda mediática internacional por bastante tempo, a crise hondurenha acabou por ir desaparecendo dos meios de comunicação até aparecerem apenas casos pontuais de um maior avanço ou recuo nas negociações, afinal como acontece com quase tudo.

O que me deixa intrigado (e admito por falta de informação e dedicação ao tema) é que reparem como tudo terminou: Zelaya foi para a República Dominicana, deixou de lutar pelo lugar de Pesidente; Micheletti reconheceu a vitória de Profírio Lobo e ambos desapareceram da cena. A novidade foi a tomada de posse do recém-eleito, mas, e consequências? Como pode tudo terminar assim, como se fossem todos amiguinhos? Afinal a razão estava de que lada? Porque não foi ninguém punido? Ou os autores de um golpe de Estado ou um Presidente que abusou do seu poder?

Mais uma vez, a culpa morreu solteira. E, com ela, mais um pedaço da dignidade da democracia latino-americana...

Armas

E, aos bocadinhos, a Rússia vai armando o mundo todo...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Coreias II


A tensão que eu dizia existir entre as duas Coreias por causa daquela troca de ameças subiu mais um bocadinho. Chegaram a trocar tiros no mar, apesar de não haver danos ou estragos. Dizem que a do Norte começou e eles responderam, afinal eram exercícios, depois fizeram queixas à comunidade internacional... Vamos ver no que dá...

(Prometo que volto com mais tempo para o blogue em breve...)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Liberdades pelo mundo...


1. Na Birmânia, vão libertar Suu Kyi, a lutadora pela democracia naquele país, mas:

a) só em Novembro;
b) ou seja, depois das eleições que a Junta Militar antecipou;
c) e mesmo assim, vamos lá ver...

2. Na Venezuela, como já disse, há canais por cabo para os venezuelanos não verem só os públicos, mas:

a) todos têm que transmitir os discursos de Hugo Chávez;
b) um recusou-se e foi fechado.

3. Um decreto-lei de Berlusconi vai proibir vídeos com conteúdo sexual ou violento na Net, mas:

a) quem quiser fazer um qualquer upload, tem que pagar uma licença ao Ministério das Comunicações

4. Hossein Karroubi é um dos principais opositores do regime de Ahmadinejad, mas:

a) já reconheceu o governo do Presidente;
b) continua a questionar a validade das eleições;
c) afinal em que ficamos? que o senhor teve que reconhecer...

Assim vão as liberdades pelo mundo. (Hoje parecia membro da Human Rights Watch!)

Coreias


A península coreana tem os seus quês, de vez em quando. Desde que foi dividida, a tensão, maior ou menor, tem estado sempre presente e preocupa o mundo. E preocupa-me a mim.

Desta vez, o que se passa é que a Coreia do Sul sugeriu poder lançar uma guerra preventiva contra a sua vizinha caso percebesse que esta planeava atacá-la com armamento nuclear. Ora, obviamente, para a Coreia do Norte, isto foi uma declaração aberta de guerra e que tal afirmação pode dar início a um conflito a qualquer momento. Bem, sabemos (acho eu) que é difícil ser assim a qualquer momento, mas que a coisa não está bonita, não está.

Mas esteve, e recentemente. Desde a visita do ex-Presidente Clinton que a tensão na fronteira tinha diminuido e as viagens tinham sido facilitadas, num ambiente de relativa reconciliação. Agora este episóido veio reacender os ódios e volta tudo à estaca zero, logo numa altura em que o regime de  Kim Jong-Il mostrava algum interesse em cooperar com a comunidade internacional...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Está feito!

Não transmitem o Huguinho, não transmitem mais nada!


Japão & China

Parece improvável que a associação destes dois países num mesmo título possa trazer uma boa notícia. Mas traz.

Bem, pelo menos tem intenção de demonstrar que, diplomaticamente, o Japão e a China têm vindo a aproximar-se e, como diz a notícia do New York Times, os Estados Unidos estão a perder terreno para os chineses. Um dos exemplos usados para clarificar esta ideia é o das visitas de representantes americanos e chineses após as eleições históricas no Japão. O primeiro forçou tanto a possibilidade de bases militares dos EUA naquele território que os media o apelidaram de "bully"; já o chineses foram muito mais diplomáticos, o Presidente escutou pacientemente várias individualidades japoneses e o gelo histórico começou a derreter-se.

Os Estados Unidos de Obama, diplomaticamente, têm tido um percurso bastante razoável, mas a insistência no hard power com o Japão não se compreende e prejudicou as suas relações com o histórico aliado... Já para não referir que os japoneses começam a preferir as relações com os emergentes asiáticos, no sentido de reforçar a região, numa altura em que os EUA já não têm o "brilho" que tinham. Se fosse a Clinton, apostava nesta relação - um parceiro na Ásia Oriental pode vir a ser muito útil, com ou sem base lá.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Imigração é necessidade e não fardo

"A imigração é uma necessidade de médio e longo prazo, embora provoque emoções a curto prazo."


Esta foi uma das frases de Felipe González numa conferência sobre pobreza e exclusão social, tema trazido à discussão pela presidência espanhola da União Europeia.

"O problema não é a população que temos. O problema é: com a população que temos, como criar uma economia sustentável?"

González apontou ainda uma série de sugestões para combater a situação demográfica preocupante da Europa, nomeadamente a utilização da mão-de-obra imigrante e inclusão de mais mulheres no mercado de trabalho, com especial atenção para as jovens mulheres, normalmente discriminadas porque em idade de procriação, no sentido de promover o seu bem-estar económico e facilitar a natalidade.

Esta posição fez-se ouvir nas vésperas da discussão da Estratégia 2020, que substituirá a não muito bem sucedida Estratégia de Lisboa, e é um sinal positivo, desde que a visão veiculada por González e outras preocupações sociais estejam incluídas no novo plano, com medidas concretas e viáveis.

(A notícia pode ser lida aqui)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Será?


Aceitará mesmo?

The US-China relationship is strong enough to withstand disputes like this

Será assim tão forte?

A vida é feita de surpresas e de desilusões. Desta vez, não estou muito optimista: não espero um Hamas a reconhecer Israel assim tão cedo e a mim parece-me é que a relação dos EUA e da China é tão fraca que não aguentaria uma verdadeira luta pelos direitos humanos...

Bem, eu avisei (vi isto depois de escrever o texto):

China: Discurso de Clinton sobre Internet prejudica relações

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pela Ucrânia...


A candidata Iulia Timochenko ofereceu o cargo de primeiro-ministro a um dos seus rivais na corrida às presidenciais, caso este a apoiasse durante a segunda volta daquelas eleições. É o tudo por tudo para assegurar a vitória e evitar que o país regresse a uma posição pró-russa, deitando por terra a revolução laranja. O senhor, pelos vistos, recusou a oferta e os dois candidatos continuam a tentar arranjar apoios.

O importante é que o país retome o rumo e rapidamente, porque a crise e o descrédito da classe política poderão vir a ter consequências graves para a Ucrânia.

Corrupção II

Por uma questão ética, faço referência aqui também à reacção do governo afegão ao tal relatório que alertava para o estado da corrupção naquele país.

A notícia é do Público, mais uma vez, e relata o descontentamento do Ministro das Finanças que acusava o relatório de estar "cheio de erros" e de "alguém" estar a fazer declarações sobre esses dados com fins políticos.

Quem é esse alguém, eu também não sei; mas parece-me que a ONU tem mais razão do que o sr. Ministro, porque é muito conhecido o problema da corrupção e a sua extensão no Afeganistão.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Corrupção

Um quarto do PIB português é muito dinheiro. Faz muita falta ao orçamento de Estado.

Imaginem agora o que é os portugueses gastarem por ano o equivalente a um quarto do seu PIB em corrupção. Querem construir uma casa, querem algum serviço do Estado, querem segurança, querem uma escola.

Corromper e ser corrompido é a lógica em vigor no Afeganistão, como um "cancro", afirma a notícia do Público. 2 500 milhões de dólares são gastos por ano no Afeganistão em SUBORNOS. Como é possível um país assim funcionar? Ter instituições credíveis e sentir-se um país? Onde metade da população já pagou subornos a pelo menos um funcionário público? 160 dólares é o valor médio do suborno. E o rendimento anular per capita é 425 dólares.

Não dá, não funciona. Pelo menos nos padrões pelos quais nos guiamos. É muito dinheiro deitado ao lixo, por muito que me digam que ele continua a girar na economia. Os afegãos não conseguirão a estabilidade tão cedo. E ainda para mais esta notícia rebenta nas vésperas da conferência dos doadores em Londres. Como é possível alguém arriscar-se a investir num país assim? As mudanças no Afeganistão precisam de ser de fundo, estruturais e não podem ser impostas pelo exterior; podem ter a ajuda do resto do mundo, mas a iniciativa e a intenção tem que ser nativa e sentida por quem lá está. Nunca alguém seguirá uma pessoa que considera um ocupante ilegítimo da sua terra. É natural que 54% da população ache que as organizações internacionais no seu país estão lá para enriquecer - principalmente se ponderarmos que os polícias, os juízes e os políticos são os que mais lucram com este "cancro que se mestatizou", como refere António Maria Costa.

Mudanças estruturais urgem num país que está a colapsar-se, mesmo apesar de alguns resultados que McChrystal tem afirmado começarem a surgir. Temos que aguardar consequências da nova (e inteligente, eu diria) estratégia de Obama para o país. No entanto, não podemos esquecer-nos das palavras do Presidente dos EUA: não estamos no Afeganistão para construir um país novo e deixá-lo uma democracia funcional; estamos lá para derrotar terroristas islâmicos perigosos e criar as condições mínimas para que estes não regressem ao poder. Compreendo a posição de Barack Obama, mas inquieto-me com os eventuais resultados a médio prazo. Aquela zona do mundo dá-me dores de cabeça.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ao Parlamento III

Bom, a coisa começa a ficar complicada para Barroso. Já quase parece Hamid Karzai que não consegue convencer o Parlamento a aceitar as suas sugestões para ministros.

A candidata a comissária da ajuda humanitária acabou por se demitir sem ter ainda sequer sido aprovada pelo Paralamento. Ao que parece, a senhora não se conformou com as críticas daquele órgãoe e nem sequer se vai sujeitar à aprovação. Eu fazia o mesmo. Só não percebo é o que se está a passar por Bruxelas. Mais uma vez: mesquinhez do Parlamento ou escolha a dedo de Durão Barroso?

Avatar & Google

A Google está com problemas na China; o e-mail de alguns activistas chineses foi violado por entidades oficiais chinesas; agora Avatar não será mostrado nos cinemas chineses. Porquê?


China e o seu estandarte da liberdade...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Duas presidenciais

No Chile, venceu o conservador e multimilionário, Sebastián Piñera, na segunda volta das presidenciais. Pela primeira vez desde Pinochet, a direita recupera o poder num dos mais estáveis países da América do Sul.

Na Ucrânia, apesar de ser ainda muito cedo para apurar resultados, a vitória do candidato pró-Rússia, Victor Ianukovich, não foi suficiente para evitar uma segunda volta contra a candidata pró-Ocidente, "musa" da Revolução Laranja, como lhe chama o Público, Iulia Timochenko. Os resultados foram surpreendentes, uma vez que não se previa segunda volta nestas presidenciais, dando as previsões vitória absoluta a Ianukovich.

Cinco anos depois da Revolução Laranja, o que se terá passado dentro da Ucrânia para, aparentemente, escolher o opositor desses princípios? Terá o mundo ocidental onde a Ucrânia parecia começar a integrar-se desapontado os ucranianos? Porque terá o Chile virado também à direita, se a esquerda tinha permitido estabilidade?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Segunda rejeição

O Afeganistão tem sido, como já referi, objecto da minha investigação das últimas semanas. Acompanho, por isso, com algum interesse especial os acontecimentos neste país.

Ontem, uma notícia do Público dava conta que o Parlamento afegão tinha rejeitado novamente as esolhas ministeriais de Hamid Karzai. Pela segunda vez, uma nega. Só 7 dos 17 ministros foram aprovados, o que obriga o Presidente a uma nova esolha para aqueles cargos - pelo menos os dos Negócios Estrangeiros, da Economia e da Justiça, pastas cruciais para um país como o Afeganistão, já estão assegurados. Três mulheres faziam parte da nova lista, sem repetições do chumbo anterior, mas só uma foi aprovada.

Esta situação é particularmente sensível, uma vez que a 28 de Janeiro vai decorrer uma conferência em Londres sobre os apoios (doações) ao Afeganistão e era aconselhável que um governo credível (aqui está o problema...) estivesse já no poder para garantir algum sucesso do encontro. Estas ajudas têm sido imprescindíveis para o país, que se encontra à beira do colapso, muito embora tenha vindo a melhorar a sua situação nos último meses. Mesmo em termos militares, o General McChrystal veio já afirmar que houve bastantes progressos desde a aplicação da nova estratégia de Obama. Muito lentamente, pode ser que se consiga um milagre para o Afeganistão...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Ao Parlamento II


Desta vez, é próprio Durão Barroso que vem defender a comissára responsável pela ajuda humanitária perante o Parlamento Europeu, que tinha dúvidas sobre a veracidade da sua declaração financeira e sobre a sua capacidade para liderar esta pasta.

Eu não sei o que se passa por Bruxelas, mas ou o Parlamento é muito mesquinho ou Durão Barroso escolheu-as a dedo...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ao Parlamento


Os comissários propostos por Durão Barroso para constituirem a sua equipa passaram/terão que passar pela análise do Parlamento Europeu, a quem compete a  aprovação dessa mesma equipa.

A notícia do Público dá conta que o comissário do ambiente até foi aplaudido durante as três horas de entrevista, o que denota uma grande empatia daquele órgão com o eslovaco que apresentou medidas concretas e uma visão clara para o papel da União relativamente a esta área que tem estado na ordem do dia.

No entanto, convém lembrar que há dias o Parlamento não foi tão condescendente com outra futura comissária - a baronesa Catherin Ashton. Devo começar por dizer que o título de baronesa em todas as notícias que leio sobre a senhora irrita-me solenemente e faz-me duvidar se estou realmente a ler notícias sobre a União Europeia ou sobre a Corte de Luís XIV de França.

Mas voltando ao Parlamento, a senhora não foi assim tão apreciada; os eurodeputados foram bastante críticos, acusando-a de não ter uma visão clara e estratégica para temas centrais da política externa, por ser demasiado vaga nas suas respostas e por se opôr frontalmente à ideia de um comando único de uma tropa europeia, assim com uns contornos dos quais já não me recordo bem. Ora aqui está: o seu sangue britânico trai-a; denunciou uma das suas principais fragilidades, que é, além da sua inexperiência internacional (que faz com que seguia demasiado o Foreign Office), as esquisitices típicas dos ingleses, num posto importantíssimo e que se antevia que pudesse vir a fazer sombra a Durão Barroso. Está visto que não faz nem vai fazer e que a política externa europeia continuará a ser tema para muitos debates académicos, porque continuará a não existir...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E o paraíso virou inferno

Tudo virado para as Caraíbas, mas pelos piores motivos. E como nem sempre a escola realista tem razão, lá está a ajuda internacional a cooperar para recuperar este belo local de férias, ainda que com problemas gravíssimos por resolver...