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domingo, 13 de março de 2011

Wikileaks IV

Já há muito tempo que não falava dos Wikileaks. Aliás, há bastante tempo que não se ouve falar dos Wikileaks. Já não terão a atenção do grande público? Ou, como sugere o seu logótipo, estão à espera para lançar mais uns quantos escândalos daqui a algumas semanas quando toda a gente já os tiver esquecido?

De qualquer forma, aqui ficam algumas das revelações Wikileaks (não necessariamente recentes, mas ainda assim interessantes):


          A mais recente (e bastante cómica) é reveladora da imagem que os EUA têm de Portugal – uma 
          imagem bastante realista, eu diria.

Os americanos mais uma vez atentos aos portugueses e à sua falta de chá na gestão de empresas e instituições.

A espionagem de altas personalidades da vida internacional parece uma cena saída de um filme hollywoodesco e revela aquilo que se suspeitava apenas que acontecesse. Faz parte do Job dos diplomatas, pelos vistos.

A revelação de muitos países árabes do medo que tinham do programa nuclear iraniano e o pedido de ajuda aos Estados Unidos para o pararem. Pelo contrário, Israel avisava que não era preciso muito para atacar o vizinho por causa desse mesmo programa de forma a evitar males maiores. Ahmadinejad deve ter-se sentido importante nesse dia; os árabes, envergonhados.

Esta não era, certamente, uma novidade para os diplomatas de todo o mundo. Nem para qualquer pessoa que tivesse um bocadinho de mais atenção. Era bastante provável que estes dois países tivessem um relacionamento próprio. Daí até se confirmar que essa proximidade também acontecia em termos de armamento foi só um passo. E pequeno.

(Não adoram a imagem? Retirei-a daqui.)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Surprise, surprise!

A Coreia do Norte, afinal, ainda tem mais centrais nucleares do que aquelas que se pensava.. Ora aí está uma surpresa…

domingo, 27 de junho de 2010

A sucessão de Kim Jong-Il

Há um ano atrás, escrevia eu no "Mundo em Revista" sobre a sucessão de Kim Jong-Il, uma vez que se levantaram rumores na altura que o seu filho mais novo seria aquele que o actual líder da Coreia do Norte queria ver a comandar os destinos do país.

Ontem, foi notícia no Público a reunião do Partido Comunista norte-coreano que se ocupará da discussão sobre a escolha dos novos dirigentes. Este encontro, tão raro que o útlimo foi na década de 60, tendo havido apenas três desde 1948, deverá confirmar a vontade de Kim Jong-Il em ser substituído (em princípio não agora) por Kim Jong-Un, que tem acompanhado o país nos últimos meses com especial frequência e influenciado algumas decisões.

Conseguirá o regime de Pyongyang suportar a perda do seu "querido líder"? Conseguirá Jong-Un manter o regime comunista mais fechado do mundo sem alguma abertura?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mugabe e Kim Jong-Il II

Então não é que os animais para a Coreia do Norte já começaram a morrer com o stress e ainda nem sequer iniciaram a viagem?!

Alguém perito em climatologia/meteorologia que me explique se haverá alguma semelhança entre o clima no Zimbabué e na Coreia do Norte para que os animais do primeiro se dêem bem no segundo?

Nonsense..

Mugabe e Kim Jong-Il


O que terão em comum Kim Jong-Il e Mugabe?

Humm.. Além do que estão a pensar, têm uma arca. Uma arca de noé. 
Desculpem, mas esta notícia desmotiva qualquer comentário razoável sobre estes dois senhores.


Mugabe vai enviar uma "Arca de Noé" para Kim Jong-il

terça-feira, 13 de abril de 2010

A mensagem por detrás da mensagem

A mensagem de Obama sobre a sua estratégia nuclear é clara: qualquer Estado que não tenha arsenal nuclear não terá, mesmo que ataque os Estados Unidos, uma retaliação com armamento nuclear. É uma oferta unilateral, que não pede nada em troca, excepto a não proliferação do nuclear. É efectivamente uma oferta típica e coerente com a lógica da não expansão destas armas de destruição pela qual os EUA optaram aquando da eleição de Barack Obama.

Mas há uma mensagem por detrás desta mais explícita mensagem: é que a Coreia e o Irão, enquanto “prevaricadores”, não terão esta sorte. Considerados à parte deste baralho maior que nunca sofrerá um ataque nuclear norte-americano, Kim Jong-Il e Ahmadinejad podem continuar a preocupar-se porque não deixaram de ser alvos. A intenção é, também ela, bastante evidente: demover, por via desta prenda, o desenvolvimento dos programas nucleares iraniano e coreano. Não me parece, contudo, que estas Brancas de Neve mordam a maçã envenenada, pois devem preferir continuar com o poder simbólico do seu estatuto de Estados nucleares a sentirem-se menos vulneráveis a ataques estrangeiros.

Apesar de parecer, pelo menos no caso iraniano, é tudo menos uma questão de opção: o regime precisa do nuclear para se legitimar: não abdicará dele, com o sem maçã.

sábado, 27 de março de 2010

Notícias do mundo

Três notícias estão a marcar a actualidade internacional:

1. Um navio sul-coreano que se afundou e que alguns ponderam a hipótese de ataca da Coreia do Norte. As autoridades têm afastado esse cenário, o que deixa todos bem mais descansados. O afundamento de um barco da Coreia do Sul em zona fronteiriça entre os dois países podia bem dar origem a um conflito armado...

2. Israel continua firme na sua decisão de construir colonatos em Jerusalém Ocidental, apesar do balde de água fria que foi a visita a Washington. Conta-se que Barack Obama deixou o Premier israelita sozinho na Casa Branca e que não jantou com ele. Parece um caso de espionagem bem ao modo da Guerra Fria: diz-se ainda que a comitiva israelita suspeitava que a linha telefónica que estava à sua disposição estava a ser alvo de escutas e acabou por comunicar com Israel a partir da Embaixada. Se é verdade ou não, ainda não se sabe ao certo. Mas o que quer que tenha acontecido não foi suficientemente grave para que Netanyahu tenha mudado a sua posição quanto aos colonatos - uma posição unilateral e completamente anti-pacífica, apesar de dizer-se com vontade de continuar as conversações de paz.

3. Foi declarada vitória no Iraque por um xiita laico, Allawi, apesar do derrotado não reconhecer a sua condição. A comissão eleitoral não deixou margem para erros e afirmou que Allawi tinha vencido o sufrágio, apesar de não ter sido o favorito durante a campanha. A situação alterou-se e agora uma grande questão permanece no ar: como conseguirá ele formar um governo e garantir a estabilidade necessária para a retirada de praticamente todas as tropas americanas até Agosto próximo?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Coreia do Norte pediu perdão. Não porque estamos em tempo quaresmal, até porque menos de 2% da população é cristã, mas sim devido às suas políticas monetárias mais recentes. A notícia pode ser lida aqui.

Um enviado da ONU também se mostrou bastante contente depois de uma rara visita a Pyongyang e provavelmente levará consigo alguma intenção daquele regime de voltar às negociações sobre o seu nuclear.

É importante reflectirmos sobre estas duas questões. São dois sinais muito claros de abertura, ainda que relativa, de um regime fechado e individualista que nunca foi muito de cooperações com a sociedade internacional. Várias questões poderão ser levantas sobre esta mudança na sua política, mas penso que a resposta fundamental vem de um dos posts que coloquei há uns dias e que se prende com a miséria de um país que, sozinho, não está a conseguir resistir. Um qualquer regime político, especialmente um fechado como é aquele de Kim Jong-Il, não consegue fazer frente a fome generalizada, a graves lacunas de segurança e de possibilidades de emprego, além dos efeitos perversos que as política monetárias tiveram na sociedade norte-coreana.

Estou com grandes expectativas relativamente ao desenvolvimento deste processo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Por que será?


Por que será que a Coreia do Norte tem mostrado alguma abertura na discussão sobre o seu nuclear e em várias outras questões onde se mostra disponível para dialogar com a comunidade internacional? Simpatia? Benevolência? Cansaço? Multilateralismo? Moral?

Uma pista:

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

North Korean Arms Shipment Said to Be for Iran


É com estes amiguinhos (o Irão) que países como a Coreia do Norte conseguem ir contornando, apesar do fazerem com muitíssima dificuldade, as sanções internacionais. O Irão precisa das armas e a Coreia do Norte de as vender; ninguém vende ao Irão (teoricamente) e ninguém compra à Coreia, logo esta é uma solução prática e viável. Assim vai-se armando o Irão e vai-se enriquecendo a Coreia. Falamos de 35 toneladas de vários tipos de armamento e desta frágil (muito frágil) segurança mundial. Como poderá o mundo solucionar estas questões? Estará o mundo irremediavelmente condenado a tapar um buraco e logo outro ser aberto no seu casco? 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Coreias II


A tensão que eu dizia existir entre as duas Coreias por causa daquela troca de ameças subiu mais um bocadinho. Chegaram a trocar tiros no mar, apesar de não haver danos ou estragos. Dizem que a do Norte começou e eles responderam, afinal eram exercícios, depois fizeram queixas à comunidade internacional... Vamos ver no que dá...

(Prometo que volto com mais tempo para o blogue em breve...)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Coreias


A península coreana tem os seus quês, de vez em quando. Desde que foi dividida, a tensão, maior ou menor, tem estado sempre presente e preocupa o mundo. E preocupa-me a mim.

Desta vez, o que se passa é que a Coreia do Sul sugeriu poder lançar uma guerra preventiva contra a sua vizinha caso percebesse que esta planeava atacá-la com armamento nuclear. Ora, obviamente, para a Coreia do Norte, isto foi uma declaração aberta de guerra e que tal afirmação pode dar início a um conflito a qualquer momento. Bem, sabemos (acho eu) que é difícil ser assim a qualquer momento, mas que a coisa não está bonita, não está.

Mas esteve, e recentemente. Desde a visita do ex-Presidente Clinton que a tensão na fronteira tinha diminuido e as viagens tinham sido facilitadas, num ambiente de relativa reconciliação. Agora este episóido veio reacender os ódios e volta tudo à estaca zero, logo numa altura em que o regime de  Kim Jong-Il mostrava algum interesse em cooperar com a comunidade internacional...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Começar bem o ano

Podia começar 2010 com notícias sobre o terrorismo, atentados, mortos e complexos problemas nas Relações Internacionais. Mas numa de optimismo e de idealismo, deicidi escrever este primeiro post do ano com uma notícia menos dramática e mais positiva.

Trata-se das relações entre a Coreia do Norte e os EUA. Não muito saudáveis há ja algumas décadas e com momentos de alguma tensão, como por exemplo aquando dos testes nucleares e dos rumores de sucessão de Kim Jong-Il, o que é facto é que o regime de Pyongyang está disposto a começar bem o ano e a dialogar com os Estados Unidos.

Armamento nuclear, boicotes, tensão diplomática e alianças têm marcado este relacionamento; mas é necessário ser-se muito cuidadoso quanto à esperança no futuro e na consistência de uma eventual aproximação entre ambos os países.


Uma Coreia do Norte internacionalmente isolada que, depois de uma carta pessoal de Obama a Kim Jong-Il, está disposta a relançar as negociações sobre o seu programa nuclear. Penso que ela irá ceder em vários aspectos, atendendo às dificuldades económicas que enfrenta e às consequências perigosíssimas do seu fechamento para o regime ditatorial.

Conseguirá a diplomacia americana um novo "reset", mas desta vez com a difícil Coreia do Norte?