quinta-feira, 24 de março de 2011

Vários Eventos e Call for Papers (Universidade Nova de Lisboa)


CONFERÊNCIAS
Relações Luso-Italianas nos séculos XV-XVIII
22 Março  | 17h30 | FCSH - Edifício ID - Sala Multiusos 2


Arg Lab
22 Março | 23 Março | 28 Março – FCSH – Edifício ID

The Bible in the Andes
23 Março | 18h00 | FCSH – Edifício ID – Sala Multiusos 2

Globalização: Segurança e Defesa no século XXI
24 Março | 18h00 | FCSH – Torre B - Auditório 1


A Dança e a Música nas Artes Plásticas do século XX
1 Abril | 09h00 – 19h00 | FCSH - Torre B - Auditório 1 - Piso 1
Inscrições abertas


Ciclo de Conferências Internacionais «Tratados de Arte em Portugal»
6 Maio | 9  Setembro | 16 Dezembro
Inscrições a partir de 1 de Março


CONGRESSOS E COLÓQUIOS
Velhos e Novos Mundos. Congresso Internacional de Arqueologia Moderna
6 a 9 Abril | FCSH – Auditório 1 – Sala Multiusos 2 – Sala Multiusos 3
Inscrições até 1 de Abril

II Congresso Internacional de Estudos Anglo-Portugueses
18, 19 e 20 Abril | Fundação Calouste Gulbenkian

SEMINÁRIOS
Tribo e outros "demónios”, a prevalência conceptual de alguns objectos antropológicos
21 Março | 18h00 | FCSH – Edifício ID – Sala Multiusos 2


Questões de Estética - Sessão 5: Anjos em Lugares Escuros: Heidegger, Rilke e o Tempo da Noite do Mundo
23 Março | Quarta-feira | 15h00 – 18h00 | FCSH – Edifício ID – Sala 07


Território e Desenvolvimento
25 Março | 1 Abril | 8 Abril | 15 Abril | 29 Abril | 6 Maio | FCSH –  Bloco 1 – Sala 28


Arthur C. Danto
Março a Junho | Quartas-feiras | 17h00 | FCSH - Edifício ID


CALL FOR PAPERS
Congresso Internacional de História dos Media e do Jornalismo
Submissão de propostas até 31 de Maio


CURSOS LIVRES
Filosofia do Corpo
25 Março a 4 de Junho | 18h00 – 20h00 |FCSH

BOLSAS
Bolsa no âmbito do Projecto Inclusão e Participação Digital: Comparação de trajectórias de uso de meios digitais por diferentes grupos sociais em Portugal e nos Estados Unidos.
Programa UT Austin-Portugal com apoio financeiro da FCT/MCTES (PIDDAC)
Candidaturas: 18 Março a 1 de Abril

Bolsa de Investigação (BI) no âmbito do projecto, Estuários e Deltas Urbanizados: Contributos para um Planeamento e Gestão Integrados. O caso de Lisboa, PTDC/AUR-URB/100309/2008, financiado por fundos nacionais através da FCT/MCTES (PIDDAC)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Evento: Conferências do Estoril


«Com o objectivo de promover a reflexão e a participação académica nas Conferências do Estoril, a Organização tem o prazer de convidar os alunos (Licenciatura, Mestrado, Doutoramento) das principais Universidades portuguesas para participarem nesta segunda edição que terá lugar entre os dias 4 e 6 de Maio de 2011, no Centro de Congressos do Estoril.
Os estudantes podem assistir às Conferências por transmissão directa, num auditório contíguo ao auditório principal do Centro de Congressos do Estoril, e onde decorrerá presencialmente a sessão «Academia». Os interessados devem preencher a ficha de inscrição em anexo e enviá-la para universitarios@conferenciasdoestoril.org. As vagas estão limitadas ao número de 200 inscritos por sessão.
Para qualquer questão adicional, contacte-nos em www.conferenciasdoestoril.org

Evento: "Afeganistão e Paquistão - a fronteira do Ocidente"


O Instituto Diplomático, em colaboração com a Associação dos Amigos do Arquivo Histórico-Diplomático
 convidam para a  conferência
 AFEGANISTÃO E PAQUISTÃO – A FRONTEIRA DO OCIDENTE
   Prof. Dr.  Bruno Cardoso Reis
 28 de Março de 2011, às 14h30,
 MNE, Sala das Conferências de Imprensa
 Tema
AFEGANISTÃO E PAQUISTÃO – A FRONTEIRA DO OCIDENTE
Esta palestra visa perceber primeiramente qual a importância estratégica desta região de fronteira (em vários sentidos) para a segurança do Ocidente. Para isso  procurará responder a algumas questões fundamentais, como sejam: O Afeganistão e o Paquistão são estados e se sim de que tipo? Qual é a estratégia dos grupos dominantes num caso e no outro, e é possível encontrar aliados do Ocidente entre eles? Qual é a importância da al-Qaida e quais os seus aliados nesta região? Em função das respostas iremos procura-se perceber quais podem ser os objectivos realistas do Ocidente nesta região e como os alcançar. Isso implica responder também à questão de saber se uma estratégia de abrangente de contra-insurreição, ou uma estratégia mais limitada de contra-terrorismo serão a melhor forma de lidar com os problemas que esta região coloca ao Ocidente.
*****
Informação 
“Dez Questões para o Conselho de Segurança”
O Instituto Diplomático, em colaboração com a Associação dos Amigos do Arquivo Histórico-Diplomático tem o prazer de anunciar que esta conferência sobre a "Afeganistão e Paquistão” é a segunda  de uma série de palestras sobre questões políticas de actualidade e relevância para o acompanhamento do desempenho do presente mandato de Portugal no Conselho de Segurança.
Visando  em primeiro lugar a integrar o programa de formação dos Adidos de Embaixada, as conferências serão também abertas aos demais funcionários e ao publico em geral.
Terão a duração de uma hora, aproximadamente; a periodicidade será mensal, com início em Fevereiro e termo em Dezembro de 2011
A Questão dos Novos Protectorados – Prof Dr. Ricardo S.de Oliveira
A Questão da Reforma do CSNU – Prof. Dr. João Marques de Almeida
A Questão da Coreia – Prof. Dr Nuno Santiago Magalhães
A Questão da Índia – Dr. Constantino Xavier
A Questão  das Missões de Paz em África – Dr . Victor Ângelo
A Questão da Rússia – Prof. Dra Raquel Freire
A Questão da  Alemanha – Prof. Dra Patrícia Daenhardt
A Questão de Chipre – Prof. Dr José Pedro Teixeira Fernandes
A Questão do Sudão - Prof. Dra Alexandra Magnólia Dias (Fevereiro 2011)

Evento

Back!

De regresso do Canadá, peço desculpa pela ausência! Participei na muito interessante International Studies Association Annual Convention e venho de lá com ideias renovadas para a minha tese!

Talvez comente nos próximos dias algumas coisas que ouvi por lá. Por agora, deixo-vos com eventos que podem interessar-vos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Era o que eu dizia…

Ora aqui está o que eu dizia! Os políticos europeus, os decisores, a população, enfim, deveriam ter mais atenção a quem decidem apoiar. Fuele fez mea culpa, o que já é importante, mas seria igualmente desejável que tal não se repetisse com tanto descaramento.

A União Europeia tem finalidades nobres – isso, para mim, é um facto. Promove a democracia, os direitos humanos, a igualdade e todo um conjunto de outros valores e princípios. Usa imensos mecanismos e diferentes políticas, quer seja com os seus vizinhos, com os candidatos ou com países terceiros com os quais tenha relações. Os países do sul do Mediterrâneo deviam, assim, não ter sido apoiados de olhos fechados, pois isso suporta muitas das críticas de subjectividade e interesses que se faz à condicionalidade política europeia.
Compreende-se o medo da Al-Qaeda e do perigo para qualquer cidadão se estes países caírem em mãos erradas; no entanto, há formas de promover uma democracia saudável, até porque ninguém garante que ao contrariaram os Mubaraks desse mundo, as suas respectivas populações vão logo gritar por Bin Laden ou pela Sharia. Uma democracia saudável, seja ela o que for, deve englobar uma cultura democrática e o enraizamento gradual de certas práticas no quotidiano popular. Mas gradual significa que não é repentino e que não pode estar-se à espera que, de um regime despótico, surja uma democracia desenvolvida. É necessário dar tempo ao tempo e apoiar a transição e a consolidação democrática dos países que considerarem esses caminhos.

segunda-feira, 14 de março de 2011

“Moment of truth”

Santini escreveu no EUObserver  que o problema da Líbia e naturalmente a sua resolução era um “moment of truth” para Catherine Ashton. E eu digo: quantos momentos da verdade já teve a senhora e de quantos saiu ela com a dignidade da alta representante da diplomacia europeia?

domingo, 13 de março de 2011

Evento

I Forum de Ciências Sociais e Políticas

Através da Raia Diplomática, descobri este interessante evento:

Na próxima segunda-feira, dia 14 de Março, terá lugar, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), no Pólo Universitário do Alto da Ajuda,  o I Fórum de Ciências Sociais e Políticas , sendo que o dia será ocupado por temáticas relacionadas com a área de estudos específica de Relações Internacionais. Conforme o programa do evento estarão presentes personalidades de renome na área, como Adriano Moreira – Professor no ISCSP e de Luís Amado – Ministro dos Negócios Estrangeiros, e bem como docentes peritos do próprio Instituto nas diversas sub-temáticas abordadas.
A organização da iniciativa do dia 14 vai ficar ao cargo do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais (NERI) do citado instituto.
Programa
I Painel – Portugal e o Potencial Estratégico Marítimo(abordagem militar e académica à projecção e potencial para a mesma da maritimidade em Portugal)
10h00
Almirante Silva Ribeiro (ISCSP)
2º Comandante da Esquadrilha de Submarinos, Silva Gouveia
Moderador: NERI
II Painel – A Diplomacia Portuguesa e a ONU (análise detalhada sobre a estratégia diplomática portuguesa e a condução da nossa política externa face à ONU)
15h00

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado
Professor Doutor Emérito Adriano Moreira
Moderadora: Professora Doutoura Teresa Almeida
III Painel – A Crise Financeira e o Processo de Integração Europeu (análise por perspectivas sobre o corrente processo de integração monetário e económico europeu, assim como uma relação crítica entre a crise financeira e o impacto desta no mesmo)
 18h00
Professora Doutora Carla Costa
Professor Doutor Joaquim Ramos Silva
Moderador: NERI

Wikileaks IV

Já há muito tempo que não falava dos Wikileaks. Aliás, há bastante tempo que não se ouve falar dos Wikileaks. Já não terão a atenção do grande público? Ou, como sugere o seu logótipo, estão à espera para lançar mais uns quantos escândalos daqui a algumas semanas quando toda a gente já os tiver esquecido?

De qualquer forma, aqui ficam algumas das revelações Wikileaks (não necessariamente recentes, mas ainda assim interessantes):


          A mais recente (e bastante cómica) é reveladora da imagem que os EUA têm de Portugal – uma 
          imagem bastante realista, eu diria.

Os americanos mais uma vez atentos aos portugueses e à sua falta de chá na gestão de empresas e instituições.

A espionagem de altas personalidades da vida internacional parece uma cena saída de um filme hollywoodesco e revela aquilo que se suspeitava apenas que acontecesse. Faz parte do Job dos diplomatas, pelos vistos.

A revelação de muitos países árabes do medo que tinham do programa nuclear iraniano e o pedido de ajuda aos Estados Unidos para o pararem. Pelo contrário, Israel avisava que não era preciso muito para atacar o vizinho por causa desse mesmo programa de forma a evitar males maiores. Ahmadinejad deve ter-se sentido importante nesse dia; os árabes, envergonhados.

Esta não era, certamente, uma novidade para os diplomatas de todo o mundo. Nem para qualquer pessoa que tivesse um bocadinho de mais atenção. Era bastante provável que estes dois países tivessem um relacionamento próprio. Daí até se confirmar que essa proximidade também acontecia em termos de armamento foi só um passo. E pequeno.

(Não adoram a imagem? Retirei-a daqui.)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Lembraram-se!

A crise mais recente das relações transatlânticas data já da invasão do Iraque, no início da década, quando os EUA conseguiram dividir a Europa. Vários anos já passaram e Obama funcionou como bálsamo – o Presidente que se viraria para a Europa como parceiro. E apesar de o ter afirmado por várias vezes, mesmo durante a sua campanha, a importância que o presidente dos EUA tem dado à Europa é relativa. Compreende-se perfeitamente: nós somos aliados seguros de Washington e convencer a Europa para alguma coisa (veja-se, por exemplo, o caso da Guerra do Afeganistão) é uma dor de cabeça – continuamos sem número de telefone, Van Rompuy e Ashton deixam muito a desejar como líderes,…

Parece, no entanto, segundo esta notícia, que os americanos se lembraram da Europa e que querem “concertar estratégia”.

Algumas curiosidades saltaram-me de imediato à vista antes de ler a notícia: a) lembraram-se de concertar a tal estratégia num assunto em que os europeus estão relativamente unidos; b) a Europa está bastante próxima geograficamente, o que é uma vantagem; c) acho que encontraram aqui um belo testa-de-ferro; c) ainda assim, Obama ligou a Sarkozy, Cameron e Berlusconi (vários números de telefone diferentes, como se pressupõe).

Portanto, o paradigma que defendi acima continua a aplicar-se, assim como aquela característica típica da política externa dos Estados Unidos em que arranjam aliados ad hoc, dependendo do caso que têm em mãos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Déjà vu

Há uns tempos, publiquei um post aqui  no blogue onde dava conta de certas medidas adoptadas por países diferentes para evitarem ou acalmarem as suas populações em fúria. Então e o que parece, por exemplo, esta aqui?

“Regime de Khadafi anuncia aumento de salários e subsídios alimentares”, aqui no Público.  Claro que isto não foi suficiente, assim como a repressão não o foi, e como temos visto nos últimos dias.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Academia e Política II

Como escrevia eu no outro dia, muitas vezes a Academia e a Política parecem duas áreas dissociadas. Continuo a afirmá-lo e os exemplos são variados. Mas falei também das condicionantes externas que limitam a acção e as decisões dos políticos.

Neste caso, queria deixar aqui apenas uma nota de agrado à posição que Durão Barroso, no seu papel de Presidente da Comissão Europeia, manifestou:

““Essa questão da migração ou da migração ilegal, ou mesmo dos refugiados, é utilizada como um meio de não apoiar a democracia e eu não estou de acordo com isso”, disse Durão Barroso aos jornalistas, após um encontro com a alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay.


“Devíamos apoiar os direitos humanos onde quer que estes estejam a ser ameaçados”, adiantou Durão Barroso, referindo-se ao caso de Itália, onde o líder da Liga do Norte Umberto Bossi, um dos principais aliados de Berlusconi, já se manifestou contra o acolhimento de imigrantes vindos da líbia ao dizer aos jornalistas: “Espero que não venham, e se vierem iremos mandá-los para a Alemanha ou a França.””



Pelo menos Barroso colocou a mão na ferida. É necessário que se acabem algumas hipocrisias políticas, especialmente em locais que se consideram grandes defensores e promotores dos seus valores e princípios, como é o caso da União Europeia.

terça-feira, 8 de março de 2011

Academia e Política

As revoluções a que assistimos no Médio Oriente – ou pelo menos as manifestações – têm sido muito debatidas em contextos distintos, mas hoje centro-me em dois que me preocupam especialmente e que estão, de certo modo, ligados: a Academia e a Política.

Quando digo que estas duas áreas estão relacionadas, refiro-me, como certamente perceberão, ao facto de a produção de conhecimento científico (neste caso nas áreas das Relações Internacionais e da Ciência Política) ter também como objectivo informar os decisores políticos para que estes consigam tomar as decisões mais apropriadas atendendo a um conjunto de factores que os condicionam e que são externos aos investigadores/teóricos.

Ora, no entanto, é legítimo colocar a seguinte questão (ignorando outras de natureza epistemológica): andarão os investigadores a informar mal os decisores políticos ou os tais factores que os condicionam é que impedem a tomada de decisões supostamente mais sábias?

Os estudiosos do Médio Oriente terão conseguido, através das ferramentas de que dispõem, prever os acontecimentos nesta região do mundo? E, se de facto a ciência triunfou nesse aspecto, terão sido seguidas as suas indicações por quem detém o poder?

Não sei o que falhou. Mas apoiar os regimes ditatoriais nestas zonas, permitir que as populações continuassem a passar fome e ignorar os crimes contra a pessoa humana que estes ditadores cometeram não foi um sucesso. Nem que isso significasse petróleo mais barato.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Paradoxo

Já não me lembro através de que blogue ou jornal soube disto. Mas soube-o e quero partilhar.


O filho de Kadafi escreveu uma tese de doutoramento. Até aqui, nada de muito anormal. Mais estranho fica quando sabemos que foi na prestigiadíssima London School of Economics. Mas, para mim, tudo descamba quando se descobre o título da mesma (cujo exemplar está disponível online e que eu tenho guardadinho no meu computador):

"THE ROLE OF CIVIL SOCIETY IN THE DEMOCRATISATION OF GLOBAL GOVERNANCE INSTITUTIONS: From ‘Soft Power’ to Collective Decision-Making?"

Mas será que dá para acreditar que o filho de Kadafi tenha escrito mais de 300 páginas sobre este tema, referindo imensas vezes "sociedade civil" e "organizações não governamentais" e "democracia" e etc?! Eu não acreditava. Mas juro que é verdade. A prova está precisamente aqui.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Em breve...

Prometo voltar com posts em breve. O trabalho não me deixa muito tempo para o blogue, mas não quer dizer que me tenha esquecido dele. Volto em breve!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A arte

Uma pequena curta-metragem - a arte e a História. A estética e a moral. O entretenimento e a lição.
(Agora sim, o vídeo está disponível.)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Também é por isto que se dão as revoluções II

Partidos únicos dá nisto.

Mas uma revolução na China seria qualquer coisa de... inexplicável.

A descrição das prisões domiciliárias e da arbitrariedade da detenção são chocantes. E assim se desrespeita e viola de forma tão flagrante e gritante os direitos com os quais todos nós nascemos...
"O activista fala do seu cativeiro na pequena quinta onde vive com a mulher e os filhos, na província de Shandong (Leste). “Não posso dar um só passo fora de casa. A minha mulher também não está autorizada a sair. Só a minha mãe pode sair e comprar-nos comida para conseguirmos sobreviver”, afirma.

Chen, cego desde a infância, tornou-se particularmente conhecido por denunciar os abortos forçados no China, que adoptou a política do filho único como controlo dos altos índices de natalidade.

Em 2006, acusou as autoridades locais de terem obrigado sete mil mulheres a abortar ou a serem esterilizadas, mas foi condenado por “danos intencionais à propriedade privada” e por “juntar uma multidão para perturbar o trânsito” – houve uma marcha de apoiantes seus contra a forma como ele estava a ser tratado pela polícia, refere a AFP. Nesse ano, a coragem da denúncia fê-lo ser eleito pela revista “Time” como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo."

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Também é por isto se dão as revoluções I

Os motivos das revoluções, assim como os motivos de qualquer outro fenómeno, são sempre variados.

Mas um deles pode precisamente ser esta descrição da actuação da polícia egípcia:

(Não reproduzo imagens de Khaled Said aqui, principalmente pelo impacto da sua desfiguração após o ataque policial, mas qualquer pessoa menos impressionável pode procurá-las na Internet. Mas fica de qualquer forma )

"Passava pouco das onze e meia da noite quando Said chegou ao café e, mal tinha acabado de cumprimentar um amigo, entraram dois polícias vestidos à civil. Dirigiram-se directamente a ele, pedindo-lhe identificação. "Vieram por causa dele. Nunca tinham cá entrado membros da polícia secreta", contou agora ao diário espanhol El País Ahmed Manduah, um empregado do café de 20 anos. O filho do dono do café, Haitham Misbah, diz que, ao ver os dois homens agarrar Khaled, lhes perguntou o que estavam a fazer. "Cala-te ou fechamos o café", responderam.

Khaled tentou resistir. "Agarraram-lhe na cabeça e bateram contra uma prateleira de mármore", conta Misbah, num testemunho citado pela Human Rights Watch. Arrastaram-no para a rua. "Bateram com a cabeça contra uma porta de ferro. Bateram-lhe na cara e estômago. Deram-lhe pontapés com tanta força que ele caiu de um degrau. Pegaram-lhe pelo pescoço e bateram com a sua cabeça contra o degrau."

Outras testemunhas contam que Khaled ainda disse: "Estou a morrer." Os pontapés continuaram mesmo quando ele já não se mexia. "Estás a fingir que estás morto?", gritou um dos polícias, antes de ir embora e deixar Khaled na rua. Pouco depois, uma carrinha da polícia levou o corpo.

As autoridades disseram que Khaled morreu ao engolir um saco da marijuana para a esconder da polícia. Não deixaram a família ver o corpo.

Um vídeo denunciando polícias

A polícia terá atacado Khaled por suspeitar que este tinha filmado um vídeo mostrando um grupo de polícias dividindo entre si droga apreendida numa operação. Não é claro se terá sido o próprio Khaled a colocar o vídeo online.

As fotografias tiradas com um telemóvel na morgue mostrando a face desfigurada de Khaled chegaram à Internet, não se sabe bem como. Khaled Said tornou-se um sinónimo das consequências da lei de emergência, um símbolo para jovens normais de classe média, sem actividade política, que perceberam que também eles poderiam ser arrastados de um cibercafé e mortos: Somos todos Khaled Said, como dizia a página do Facebook criada cinco dias após a sua morte. A página registou 4 mil seguidores na primeira hora após a sua criação (agora tem mais de 57 mil e continua a crescer). Começou por mostrar as imagens brutais do cadáver, dar informações sobre a investigação: o primeiro inquérito concluiu que a morte tinha sido causada por asfixia."


A notícia pode ser lida na íntegra aqui.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Evento

IIR 2011 Summer Seminar, island of Tinos, Greece

The *Institute** of **International Relations* (IIR) of Panteion University
of Athens, Greece, is pleased to announce its 20th Summer Seminar, which
will be held on the island of Tinos from June 29 to July 4. The theme of
this year's Seminar is: *History & Philosophy of International Relations*.

We would be grateful if you could share this with students who might be
interested in applying.

The Institute of International Relations <http://www.idis.gr/> (IIR) of
Panteion University of Athens invites participation in the 2011 IIR Summer
Seminar "History & Philosophy of International Relations" to be held June 29
- July 4, Island of Tinos, Greece. Since the summer of 1992, the Institute
has been organizing annually an International Summer Seminar on contemporary
international affairs. The Seminar has, thus far, brought together around
356 students from over 35 countries. Its overall purpose is to provide
opportunities for the creation and consolidation of scholarly networks of
cooperation by offering an international forum through which scholars
exchange information on areas of common interest and disseminate research
findings to advanced students. Applicants should be (post-) graduate
students working towards Masters or Ph.D. degrees. All applicants should be
fluent in English. Applications should be received by *April 22, 2011*.
Please see the website <http://www.idis.gr/summer-seminar/> for more
information.

Cada vez gosto mais da Palestina

Eu sempre disse que Israel estava a perder a amizade cega dos Estados Unidos e isso concretizou-se ainda mais: foi hasteada, pela primeira vez no território americano, em plena Washington D.C. e com a aprovação da administração, uma bandeira da Palestina. Mais um passo no reconhecimento do território palestiniano, mais uma aviso sério a Israel de que os americanos não estão para tolerar muito mais brincadeiras. Até já a bandeira do “inimigo” esvoaça com os ventos americanos. Mesmo que os diplomatas retirem importância a este acto, eu continuo a dizer que o significado e o carácter ideacional e de interpretação das acções é mais forte do que a sua materialidade.

Do campo oposto, na Rússia, vem uma notícia muito semelhante: em visita a territórios palestinianos, Medvedev anuncia que o seu país reconhecerá a Palestina segundo uma declaração de 1988 que mantém. Este passo foi fundamental, pois Moscovo participa tanto no Quarteto para a Paz para o Médio Oriente como é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Isto é fundamental para a sua intenção de declarar unilateralmente a independência de um estado ainda este ano, segundo alguns analistas.


E aqui seguem dois pontos para a Palestina. Palestina: 2; Israel: 0.


(P.S.: Ao contrário de mim, o PS e o PSD parecem não gostar muito.)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Human Planet

Olha que bela ideia…

Pois olha que bela ideia  para os nossos cofre! Poupar € 300 milhões era cá uma economia! Mas não me parece que queiram… Não seria um verdadeiro censo, é certo, mas não será possível uma amostra verdadeiramente representativa? Não vale a pena preocupar-me muito, porque aqui vamos mesmo tê-los.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Algumas da WikiLeaks

Algumas notícias que têm sido publicadas sobre a Wikileaks:

1.      Para começar, o apoio dos EUA às facções democráticas no Egipto e na Tunísia foram fundamentais para a concretização dessas mesmas revoluções;

2.      Um banqueiro suíço foi detido por ter passado à WikiLeaks informações confidenciais de clientes que tinham fugido ao fisco nos seus países de origem;

3.      WikiLeaks denunciam corrupção generalizada em Cuba – em vários organismos e em vários cargos e situações da vida quotidiano;

4.      WikiLeaks foi proposta para Nobel da Paz 2011 por um deputado norueguês (penso que por promover a transparência e a liberdade no mundo. Mas será que isso significou a paz?)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

“Falta de visão”

Foi esta a expressão usada pela Turquia – mais precisamente pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, em Janeiro – para qualificar a posição da UE face à sua adesão. O bloqueio das conversações de adesão e os vistos que a União está a permitir aos países dos Balcãs (por várias vezes negados aos cidadãos turcos) foram o motivo desta avaliação turca da cada vez mais clara falta de empenho e vontade no processo.

Até aqui, nada de novo. Mas reparem no parágrafo final da notícia do EUobserver (http://euobserver.com/15/31640) e o quão contraditórios os diplomatas são:

“Some EU diplomats and Israel are concerned that Turkey is too close to Tehran and that Turkish PM Recep Tayyip Erdogan harbours ambitions to become leader of an Muslim league in a drift away from old Western allies.”

Recusam sistematicamente a aproximação da Turquia ao lado ocidental e depois dizem-se preocupados porque os turcos parecem estar a aproximar-se do lado oriental e muçulmano? Alguém aqui não percebe muito de lógica…

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

As Revoluções no Médio Oriente VI

Ainda sobre este tema, aconselho algumas leituras e comentários disponíveis em:


- “Comentário: Efeito dominó ou efeito bumerangue no mundo árabe?” 

 

- President Obama: here is your "game changer" 


- Quanto vale a analogia com o Irão de Khomeini?


Queria deixar uma breve nota, relativa ao facto de o exército egípcio ter dissolvido o Parlamento e suspenso a Constituição, num momento político bastante simbólico de queda efectiva do regime anterior. 


Destaque ainda para as manifestações que continuam no Iémen, na Argélia, no Bahrein e na Líbia. A lista cresce diariamente e só comprovam aquela ideia do dominó.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Onde é que eu já vi isto?

Algumas notícias de ontem deixaram-me com a sensação de déjà vu, nomeadamente:



Estes títulos são bastante curiosos. Três países diferentes e todos afectados pelas dinâmicas revolucionárias dos seus vizinhos. Não, não vou falar outra vez em dominós. Ainda assim, não podemos deixar de notar em todas elas as reacções distitnas dos governos - uns tentam agradar à população, outros nem isso fazem. O importante é que esta centelha da democracia continua com alguma energia em vários pontos do Médio Oriente.

(Não posso ainda deixar de aconselhar a leitura, mais leve e divertida, da notícia da troca de discursos. Achei hilariante.)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A abertura Taliban

A notícia desta relativa abertura dos Taliban surgiu no Público durante o mês de Janeiro e dizia que este grupo afegão admitia a possibilidade de acabar com a proibição da frequência de raparigas no ensino.

Esta proibição, juntamente com a das mulheres trabalharem fora de casa, eram duas bandeiras fortes deste grupo radical já desde a sua formação e mesmo no tempo em que estiveram no poder.

Esta cedência dos Taliban vem na onde de negociações e conversações que o governo tem desenvolvido com aqueles e das quais têm surgido alguns resultados e cooperação. Desconheço o teor desse diálogo, mas espero que a democracia afegã não fique ainda mais fragilizada por estar a associar-se a um grupo fundamentalista. A questão da educação feminina mostra o contrário, mas o que terão pedido em troca?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Dominó

No outro dia, publiquei um post qualquer com a imagem de um dominó. Hoje, seguem duas notícias fresquinhas do jornal Público online que exemplificam na perfeição aquilo que eu quis dizer através das imagens:

No Iémen, milhares pedem a demissão de Saleh: "Agora é a tua vez"

Manifestantes marcharam contra cordão policial em Argel.

As Revoluções no Médio Oriente V

Estas revoluções de que toda a gente já está farta de ouvir falar não têm só repercussões nos próprios países e nos vizinhos que já sentem os ventos da mudança. Por todo o mundo, são sentidos efeitos.

Eu destacaria dois blocos: os Estados Unidos e a União Europeia.

Os primeiros tiveram dificuldade em responder à revolução egípcia. Continuar a apoiar Mubarak, aliado fiel de sempre (e que por isso lá continuava há uma data de anos), mas que estava na iminência de ser expulso do país? Apoiar as massas descontentes e evitar que para o lugar de Mubarak fosse um qualquer radical islâmico? Pois, a situação era diplomaticamente muito delicada e foi resolvida com uma mãozinha nos dois lados – pois promove-se a democratização, mas não se trata mal o senhor Presidente (quem sabe ele não irá para os EUA exilado?). Aqui  pode ler-se um comentário de quem conhece melhor os Estados Unidos do que eu.

Pois, quanto à União Europeia, o problema não deixa de ser bicudo. As relações com o Mediterrâneo são próximas e há uma série de documentos nesse sentido (daquelas parcerias todas e da condicionalidade política), mas e ver Ashton no momento da revolução? Ninguém se lembrou da senhora e a senhora não se fez notar. Mais uma vez, mais um teste, mais, na minha opinião, um falhanço. Pois foram feitas algumas declaraçõezinhas e estava tudo resolvido. Não houve proactividade, nem a esperteza estratégica de meter a colherada para depois sentir a recompensa de ter um aliado no governo no Médio Oriente. “A UE exerce um soft power”: aceito e acho muito bonito (ninguém está a pedir para mandarem tropas para lá), mas, por favor, não entendam soft power com invisbible / inexistent power. Já para não falar que nem neste assunto tão simples todos se entendem: o Reino Unido está contra a violência do estado; Itália está preocupada com os motins. E para não perder mais tempo com isto, ficam aqui  e aqui  dois links com mais informações.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

E Mubarak resignou...

... a 11 de Fevereiro de 2011!

...precisamente 32 anos depois da Revolução Islâmica derrubar o Xá.

... precisamente 21 anos depois de Nelson Mandela ser libertado da prisão.

E viva a democracia!

O sofrimento e a morte de todos aqueles que lutaram pela sua liberdade não foram em vão.

Os festejos e as exultações da população podem ser vistas em directo a partir daqui.


(De qualquer forma, nos próximos dias, continuarei a publicar alguns posts sobre estas revoluções que, estando desactualizados, fazem sentido no seguimento dos anteriores.)

As Revoluções no Médio Oriente IV

Pois a revolução na Tunísia não foi caso único neste início de ano, como bem se sabe. O medo das revoluções dominó ou da força gravitacional das democracias e da sua instalação (sobre a questão da gravidade democrática, há um artigo muito interessante cuja referência bibliográfica deixarei em baixo*) acabou por concretizar-se no Egito (parece que agora tenho que escrever assim, não é?), no Iémen e mais recentemente algumas manifestações também na Albânia (que não sendo Médio Oriente, é mediterrânico e, por isso, bastante próximo).

Começando pelo último, as notícias que chegaram na altura em que escrevo este post dão conta de movimentações populares que pedem eleições antecipadas. Não me parece que este caso se aproxime dos restantes três, mas é nitidamente um efeito de contágio que deu coragem à população para exigir, de forma mais proactiva, as tais eleições antecipadas.

Quanto ao Iémen, o Presidente assegurou que se afastaria do poder em 2013, o que lhe dá uma permanência neste lugar de quase três décadas. Também já declarou que não tentará passar o poder para o seu filho (mas isto anda tudo trocado…), como já havia sido pensado. Falou em interesses do país à frente dos pessoais e pediu para não encherem as ruas à semelhança do que se passa na vizinhança. Estas promessas foram já uma grande evolução; no entanto, a oposição pede medidas concretas. Ora, parece que isso não foi, contudo, suficiente e, mesmo apesar dos pedidos do governo, 20 000 pessoas vieram para a rua no “dia da raiva” gritar contra o Presidente. A pobreza, o desemprego na ordem dos 40% e o exemplo do Egipto e da Tunísia ditaram essa raiva. Ainda assim, antes das manifestações subirem de tom, o Primeiro-ministro avisava que não seria tolerada uma “revolução tunisina” no seu país. Resta saber até que ponto terá razão…

Finalmente, o Egipto tem sido o caso mais falado. Directamente influenciado pela experiência tunisina e também ele em fúria pelas condições de vida e pela perpetuação do seu Presidente no cargo, as manifestações têm sido muitas, assim como o desrespeito pelo recolher obrigatório, os confrontos com o exército,… Enfim… Uma revolução com muita perseverança dos cidadãos, que não arredam pé até conseguirem que Mubarak abandone efectivamente o poder. Já não se acreditam em promessas de não recandidatura – querem a saída imediata. E, como dizia uma notícia do Público, ninguém “cedeu no ‘dia da partida’” – o dia que Mubarak abandonaria esse mesmo poder.

(Também na Jordânia aconteceram algumas manifestações e o Rei demitiu o Primeiro-Ministro, mas a situação tem sido menos acompanhada, talvez pela menor força dessas mesmas manifestações e pela suposta acalmia gerada com essa mudança.)

(Ahmadinejad veio dizer que as revoluções a que assistimos começaram no Irão... - Não, não é piada.)

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*Emerson, Michael; Noutcheva, Gergana. (2004) “Europeanisation as a Gravity Model of Democratisation”, Centre for European Policy Studies, Working Document no. 214, November, http://www.ceps.eu/files/book/1175.pdf