sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ao Parlamento


Os comissários propostos por Durão Barroso para constituirem a sua equipa passaram/terão que passar pela análise do Parlamento Europeu, a quem compete a  aprovação dessa mesma equipa.

A notícia do Público dá conta que o comissário do ambiente até foi aplaudido durante as três horas de entrevista, o que denota uma grande empatia daquele órgão com o eslovaco que apresentou medidas concretas e uma visão clara para o papel da União relativamente a esta área que tem estado na ordem do dia.

No entanto, convém lembrar que há dias o Parlamento não foi tão condescendente com outra futura comissária - a baronesa Catherin Ashton. Devo começar por dizer que o título de baronesa em todas as notícias que leio sobre a senhora irrita-me solenemente e faz-me duvidar se estou realmente a ler notícias sobre a União Europeia ou sobre a Corte de Luís XIV de França.

Mas voltando ao Parlamento, a senhora não foi assim tão apreciada; os eurodeputados foram bastante críticos, acusando-a de não ter uma visão clara e estratégica para temas centrais da política externa, por ser demasiado vaga nas suas respostas e por se opôr frontalmente à ideia de um comando único de uma tropa europeia, assim com uns contornos dos quais já não me recordo bem. Ora aqui está: o seu sangue britânico trai-a; denunciou uma das suas principais fragilidades, que é, além da sua inexperiência internacional (que faz com que seguia demasiado o Foreign Office), as esquisitices típicas dos ingleses, num posto importantíssimo e que se antevia que pudesse vir a fazer sombra a Durão Barroso. Está visto que não faz nem vai fazer e que a política externa europeia continuará a ser tema para muitos debates académicos, porque continuará a não existir...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E o paraíso virou inferno

Tudo virado para as Caraíbas, mas pelos piores motivos. E como nem sempre a escola realista tem razão, lá está a ajuda internacional a cooperar para recuperar este belo local de férias, ainda que com problemas gravíssimos por resolver...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Obama sem popularidade e chineses sem noivas


Obama atingiu o valor mínimo da sua popularidade: 41%. Devo apenas dizer que, em termos de política externa, e segundo uma investigação que realizei recentemente, a popularidade de Obama decresceu durante o ano passado. Contudo, esse decréscimo não foi assim tão linear e notou-se alguma recuperação, essencialmente a partir do discurso do Presidente de 1 de Dezembro, onde anunciava o reforço militar para o Afeganistão. Em termos gerais, no entanto, parece que os americanos estão a ficar descontentes. A opinião pública nos EUA é muito complexa...


Do outro lado do mundo, na China, surgem preocupações com os milhões de homens chineses que, daqui a alguns anos, não terão mulheres para casar. Esta notícia, que pode parecer quase um faits divers, é de extrema importância para as relações internacionais. Não podemos esquecer-nos que a China assenta muito da sua influência mundial em termos demográficos e esta revelação, lógica no seguimento das políticas adoptadas pelo país, traz uma reflexão necessária e mais crítica relativamente ao papel do Reino do Meio no futuro.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

E mais um muro no mundo

Há alguns meses, celebrávamos a queda do Muro de Berlim e eu lembrava que muitos muros continuavam a existir no mundo.

Uma notícia do jornal Público dá conta de um novo muro para este mundo, onde a globalização supostamente eliminaria as fronteiras e as limitações da mobilidade de todos. Com o argumento dos imigrantes ilegais que chegam de África, os isrealitas vão gastar 16,7 mil milhões de euros na construção de um muro na fronteira com o Egipto. Israel diz preferir receber imigrantes judaicos e que tem que pôr um travão ao fluxo da imigração vinda de África.

A mim, esta medida mete confusão e só me faz lembrar um país de birras, com as costas protegidas pelos eternos aliados americanos e que vão criando, assim como quem não quer a coisa, alguns desequilíbrios na região. Mesmo que digam que é por causa das armas, qualquer coisa não bate certo com este muro...

Quando procurava uma imagem para pôr no post, encontrei este blogue, que denunciava um outro muro, desta feita construído pelos egípcios na Faixa de Gaza. Vamos nós perceber esta gente...


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Eleições na Croácia

A Croácia é o próximo país a aderir à União Europeia. Não estou certo quanto à data prevista, mas penso que não passará de 2012 - com uma grande probabilidade de ser antes.

Especialmente agora que foi eleito como presidente croata um europeísta, Ivo Josipovic, o processo não deverá sofrer muitos atrasos.

Fica aqui apenas a reflexão sobre a importância do processo de integração europeia para a consolidação democrática de países com pouca tradição dessa natureza, como é caso flagrante os dos Balcãs, sendo que a Croácia é o que está mais à frente na corrida para a entrada, mas seguida por outras, como a Bósnia e Herzegovina e a Sérvia, por exemplo. O Kosvo também está nessa lista, com um mais longo percurso a correr e com questões muito delicadas que este novo país ainda levanta, nomeadamente o facto de não ser reconhecido por todos os Estados-Membros, nomeadamente a Espanha, como se sabe.

A Croácia tem, sucessivamente, atingido os objectivos para a entrada na UE, com um belíssimo desempenho das suas instituições e cada vez mais se aproxima uma UE a 28. A sua entrada é ainda fundamental para toda a região balcânica, uma vez que a política de "pau e cenoura" aplicada naquela zona do globo, se falhar, pode criar um caos com o qual a Europa não me parece que consiga lidar facilmente...

Outra questão que deixo para reflexão é a das fronteiras da União - até quando ou até onde um alargamento e até que ponto a Turquia deve ou não fazer parte do grupo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Várias numa

Várias referências rápidas ao que acontece no mundo (enquanto eu faço trabalhos sobre o mundo):

1. Um general isrealita diz que os iranianos estão a um muito longo caminho da arma nuclear. Por serem inimigos mortais dos isrealitas, até que fico mais descansado, mas não me arriscaria a enfatizar tanto essa distância, porque rapidamente os iranianos saltam etapas. O Paquistão é mesmo ali quase ao lado, a Rússia mais a norte... 7 anos é o prazo que este especialista dá. A esperança é que o regime não aguente tanto tempo; se bem que tudo tem andado mais calmo por lá - pelo menos que se saiba.

2. Obama era a favor da reabilitação de terroristas e da sua integração na sociedade (muito na linha de alguém que recebeu um prémio Nobel); no entanto, os maus resultados que isso está a originar, em termos de falta de eficácia, pode pôr em causa o encerramento de Guantánamo. Obama diz que não e que vai fechar. Pode ser que mais depressa do que o Irão aprende a fazer uma arma.

3. Martinica e Guiana vão fazer referendos sobre a sua intenção de ter mais autonomia face à "metrópole" francesa, a quem continuam fortemente ligados. Pelo menos têm essa possibilidade, embora se suspeite que vão negá-la. É sinal que estão bem. Ai se João Alberto Jardim vê...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Sudão em perigo

Não é, por razões que não consigo especificar, a área que mais interesse em termos profissionais me interessa. No entanto, para perceber certas dinâmicas, não podemos evitar olhar para aquele magnífico continente que é África.



E a notícia que vem de lá é a preocupação de uma série de organizações com o futuro do Sudão na eventualidade do iminente colapso do Acordo Abrangente de Paz.

O meu conhecimento sobre a história do Sudão não abunda, mas sei o suficiente para perceber que a situação lá pode gerar um caos em toda a África, atendendo ao tamanho do país e à sua influência. É um caso nítido de um país e duas nações; a parte mais rica e a parte mais pobre; a parte católica e a muçulmana; ódios históricos a que o imperialismo não ligou quando traçou fronteiras geometricamente perfeitas. É urgente resolverem questões como estas. A notícia do Público falava em 1,5 milhões de mortos em 22 anos de guerra civil. É mais do que um qualquer povo pode suportar.

O mundo deve estar atento e promover a resolução pacífica deste diferendo. Eu digo promover e não resolver. Os nativos compreendem as dificuldades que enfrentam e só eles podem aceitar algo mais sustentado; os outros podem apenas ajudar, sugerir e mediar; não criar outra Conferência de Berlim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

In memoriam

Porque as Relações Internacionais, a história e a vida de cada um de nós não seria a mesma tivessem os destinos do mundo ditado outras regras, convém relembrar os momentos que achamos mais importantes.

As bombas atómicas foram dois desses momentos que, pelos piores motivos, desencadearam um período muito marcante da nossa história.

Ontem morreu Tsutomu Yamaguchi, um dos poucos que conseguiu sobreviver à explosão em Hiroshima, onde trabalhava. Depois do acidente, foi depressa para a sua cidade, Nagasaki, e outra bomba lhe caiu aos pés. Para ele, foi milagre.

Para mim, um óptima oportunidade para lembrar aquilo que não queremos para o mundo.

Uma notícia do Times Online.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um mau dia para as ONGIs II

Eu bem vaticinei que este seria uma dia mau para as ONGIs...

Agora é a notícia que as forças do Iémen capturaram o chefe local da al-Qaeda. Para nós, é uma óptima notícia, mas para a organização nem tanto...

Um mau dia para as ONGIs



Em guerra civil desde 1991, a Somália é um dos típicos casos de Estado falhado (apesar de haver uma certa polémica quanto ao uso deste termo...). Na verdade, este caótico país da África Orientaltem vindo a sofrer uma crescente influência por parte de organizações terroristas, como é o caso da Shabaab, que é considerada uma extensão da al-Qaeda naquele país. Recordemos notícias como a do atentado num hotel no centro de Mogadíscio que matou ministros somali, outras sobre a força fundamentalista e o seu crescimento e uma mais recente, consequência lógica desta situação, que é a suspensão do Programa Alimentar Mundial para aquele país, onde apoiava quase 2 milhões de pessoas.

Esta organização queixa-se que o governo não está disposto a garantir a segurança necessária aos seus funcionários para que desenvolvam lá a sua missão e estarão brevemente a bater em retirada.

E parece que este foi um dia mau para as organizações não-governamentais internacionais, pois no Irão, Ahmadinejad proibiu o contacto dos seus cidadãos com cerca de 60 entidades dessa natureza: Human Rights Watch ou BBC são duas das proibições, justificadas com o alegado envolvimento daquelas nas manifestações anti-regime que têm acontecido nos últimos meses. Para mim, um sinal da fraqueza do sistema iraniano, numa manifestação clara de incapacidade em lidar com a revolta popular e a pressão internacional.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

20 anos depois...

20 anos depois, vão realizar-se eleições na Birmânia. A notícia também é boa. Mas o último sufrágio deu a vitória à ainda detida Suu Kyi e eu não me lembro da senhora estar no governo; não se sabe a data nem os moldes. Eu sei é o resultado...

Menos certo é o resultado da política de regionalização que Mohammed VI vai realizar em Marrocos, num dos mais centralizados países do mundo, segundo o Público. O estatuto do Sahara Ocidental continua muito obscuro para mim (peço desculpa pela falha), mas dizia-se na notícia que ia dar a esta região uma maior autonomia...

Eu gosto disto porque nunca se sabe qual vai ser o resultado. Gosto sempre de surpresas, principalmente se forem boas.

SIDA e EUA

É uma boa notícia. A concretização na prática de algo anunciado em Novembro do ano passado. O fim de uma restrição sem nexo. Os EUA estão de parabéns por deixarem de pertencer a tão vergonhoso grupo.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Uma Ásia preocupante

Podemos esforçar-nos por ser optimistas relativamente a vários assuntos internacionais. Contudo, dificilmente alguém conseguirá evitar algum desalento se tem vindo a ler as notícias dos últimos dias sobre a Ásia e o terrorismo islâmico.

Como certamente já terão percebido, esta é uma das minhas áreas de interesse pessoal e à qual tenho dedicado algum do meu trabalho. Mas além dessa preferência, a gravidade da situação começa a implicar um atenção redobrada para a questão. Quer seja aqui, aqui, aqui, aqui ou mesmo ainda aqui, não faltam notícias sobre as evoluções da seriedade da ameça fundamentalista islâmica e da forma como ela se tem vindo a propagar.

Ora temos um Gordon Brown que vai acolher uma cimeira sobre a questão do Iémen para ajudar este país a expulsar a al-Qaeda do seu território, ora a ONU começa a reduzir o seu pessoal no Paquistão, porque a situação está a tornar-se insustentável em termos de segurança; ora o próprio Presidente Obama declara o Iémen como outro ponto nevrálgico daquela mesma organização, ao mesmo tempo que admite que a tentativa de atentado ao avião para Detroit foi perpetrada pela al-Qaeda; ora o correspondente do Times diz que antigos prisioneiros de Guantanamo voaram para o Iémen e de lá estas novas chefias deste grupo extremista têm causado terror.


Tudo dados que devem entrar na análise; tudo dados que devem alertar a opinião pública, para que esta reflicta sobre as suas posições e se pronuncie com alguma propriedade, tendo uma visão estratégica de futuro e não esquecendo que no mundo actual, o que pode parecer uma zona remota do planeta, pode estar bem mais próximo do que se pensa.

domingo, 3 de janeiro de 2010

E agora, Karzai?

O Parlamento afegão rejeitou dois terços dos ministros propostos por Hamid Karzai. O governo enfrenta cada vez mais problemas com a sua legitimidade. E agora, Karzai?

Um mártir

Mousavi, líder da oposição iraniana, declarou há dias que estava disposto a ser um mártir pela recondução da política do Irão. Opositor do regime de Ahmadinejad, que acusa de fraudulento, Mousavi, que alguns dizem desaparecido, diz que o seu sangue não é mais vermelho que o daqueles que já morreram por esta causa, nomeadamente um dos seus sobrinhos, que foi morto pelas forças de segurança durante uma manifestação.

A situação no Irão está cada vez mais tensa e preocupante; instabilidade naquela zona do globo é comum, mas Irão, Iraque, Afeganistão, Paquistão e Iémen parece-me mais do que a Ásia pode aguentar. E muitos prevêem uma nova revolução iraniana, desconhecendo os moldes do eventual novo status quo.

Sinceramente, acho que Mousavi não vai ser morto, pelo menos por forças oficiais, uma vez que a morte de um líder que começa a tornar-se bastante carismático e a ideia de mártir e de sofredor por uma causa, como a História tão bem mostra, pode inflamar a população e dar ainda mais ânimo a revoltas que o regime poderá não conseguir conter tanto como gostaria.

E, se observarmos bem, mesmo sem a presença dos media internacionais no país, temos tido acesso a imensas notícias sobre o desenrolar da situação no Irão; é, por isso, impossível controlar tudo e todos, como Ahmadinejad tenta fazer. Lia algures no outro dia que a dar-se uma revolução, esta seria a Revolução do YouTube. É assim mesmo a globalização: permite aos grupos islâmicos terroristas que se transnacionalizem, dando-lhes publicidade, e limita, ao mesmo tempo, as pretensões de uma República Islâmica de se fechar e esconder do mundo o que se passa no seu interior para se proteger.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Começar bem o ano

Podia começar 2010 com notícias sobre o terrorismo, atentados, mortos e complexos problemas nas Relações Internacionais. Mas numa de optimismo e de idealismo, deicidi escrever este primeiro post do ano com uma notícia menos dramática e mais positiva.

Trata-se das relações entre a Coreia do Norte e os EUA. Não muito saudáveis há ja algumas décadas e com momentos de alguma tensão, como por exemplo aquando dos testes nucleares e dos rumores de sucessão de Kim Jong-Il, o que é facto é que o regime de Pyongyang está disposto a começar bem o ano e a dialogar com os Estados Unidos.

Armamento nuclear, boicotes, tensão diplomática e alianças têm marcado este relacionamento; mas é necessário ser-se muito cuidadoso quanto à esperança no futuro e na consistência de uma eventual aproximação entre ambos os países.


Uma Coreia do Norte internacionalmente isolada que, depois de uma carta pessoal de Obama a Kim Jong-Il, está disposta a relançar as negociações sobre o seu programa nuclear. Penso que ela irá ceder em vários aspectos, atendendo às dificuldades económicas que enfrenta e às consequências perigosíssimas do seu fechamento para o regime ditatorial.

Conseguirá a diplomacia americana um novo "reset", mas desta vez com a difícil Coreia do Norte?

Bom 2010!!

Por um problemazinho de saúde, não pude deixar aqui os meus votos a tempo da entrada neste novo ano.

Tentanto redimir-me, desejo a todos os leitores e seguidores do Internacionalizzando um óptimo 2010, cheio de sucessos profissionais e pessoais.

Bom 2010!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Iémen e o perigo das cuecas

Parece ser uma piada, mas este título quer apenas chamar atenção para um acontecimento importantíssimo dos últimos dias (para além da questão iraniana, à qual me dedicarei amanhã).

Um atentado falhado não causa assim um tão grande impacto. Exceptuando, talvez, nos media americanos, que devem andar por esta hora a fazer um alarido com as questões de segurança no seu país, ao ponto de divulgarem já a imagem das cuecas do senhor que ia provocar a explosão no avião para Detroit.

Mas há inúmeras questões de fundo que se prendem com isto e que eu deixo aqui para reflexão.

1. Estes atentados vêm dar razão a Obama e ao seu reforço na luta contra a Al-Qaeda (organização que reivindicou o atentado falhado);

2. A Al-Qaeda não está, nem de longe nem de perto, imobilizada ou amputada; continua activa e sem problemas em causar mortes e chamar as atenções para a sua causa jihadista.

3. O fundamentalismo islâmico está a difundir-se e o Iémen é um dos locais mais propícios a essa disseminação, enquanto país pobre e com porblemas estruturais que é. A presença de jihadistas no Iémen é já muito forte e planeiam-se ataques a partir de lá.

4. Poderão os EUA vir a abrir uma terceira frente de guerra? Terminam de vez com o Iraque (já em vias de extinção enquanto palco de guerra activo) e viram-se para o Afeganistão e o Iémen? E quando deslocarem os fundamentalistas o seu ninho deste país da península arábica para outro como a Somália? Irão os EUA defender-se atacando também no Corno de África?

5. Qual o papel dos restantes países nesta história toda? Destruir um avião que chega aos EUA, mas que partiu da Europa não significa um perigo para todos? Uma necessidade de cooperação na resolução deste problema? Não se aperceberá a opinião pública europeia destas ameaças também à sua segurança?

Muitas outras questões poderia levantar aqui, como a da segurança nos aeroportos, mas limito-me a estas. Um atentado falhado no dia de Natal, a concretizar-se, iria espalhar o medo pelo mundo ocidental; o seu falhanço deveria alertar para a mesma situação, porque com ou sem a morte daqueles passageiros, a segurança do mundo continua frágil...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Uma nova Revolução Iraniana?

Em 1973, o Irão viveu uma revolução que pôs fim a um período de relativa laicidade e o substituiu por um regime islâmico.

Há uns meses para cá, mais precisamente depois da polémica reeleição de Ahmadinejad, os motins têm-se multiplicado nas ruas, assim como as mortes, as detenções e os ferimentos de todos aqueles que continuam, insistentemente, a opor-se ao regime que dizem fraudulento.

Tão insistentemente e sempre com os mesmos resultados, que os leitores deixaram de prestar atenção a tais incidentes. No entanto, os motins regressaram, mais uma vez, com força; um sobrinho do líder da oposição, Mousavi, foi morto durante os confrontos com as forças de segurança; outros tantos tiveram o mesmo destino; o próprio Mousavi foi demitido da Academia de Ciências iraniana; os jornalistas estrangeiros foram expulsos do Irão, mas chegam às redacções ocidentais imagens e filmes que os próprios manifestantes enviam para denunciar o que se vive no país. Ainda mais sintomática é a recusa de alguns polícias a atirarem contra os que participam nestes motins.

A questão que eu queria trazer aqui (e que é, de resto, já levantada por vários especialistas) é se não se estará a aproximar uma nova revolução iraniana? Até que ponto é que todos estes sinais não começam a ser demasiado evidentes e persistentes para que se pense que tudo ficará igual? Conseguirá o regime islâmico de Ahmadinejad e de Khomeini suprimir todo este descontentamento? Estaremos nós a começar a viver uma mudança brutal na comunidade internacional que resultaria da queda de Ahmadinejad?

Vou acompanhar com muita atenção os próximos dias. A semente começa a brotar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Segurança internacional

A batalha que a coligação liderada pelos EUA no Afeganistão está a travar é, fundamentalmente, contra os taliban e a sua protegida al-Qaeda, a par com outras organizações extremistas islâmicas menores.

O que está realmente em causa nesta luta, para além de interesses subsidiários também menores, é a segurança internacional. Isto porque se os Taliban (grupo inicialmente formado por estudantes islâmicos que queriam governar no Afeganistão) têm uma tendência natural de circunscrição ao espaço afegão, a dimensão da al-Qaeda é essencialmente transnacional. E isto causa graves e sérios e preocupantes problemas a toda a comunidade internacional.

Enquanto organização moderna que é, a al-Qaeda funciona anonimamente em dezenas de países e espalha-se como perfeitas metástases de um cancro que é o fundamentalismo seja ele de que religião for.

Dois sinais foram visíveis nos últimos dias:

O primeiro, a tentativa de um nigeriano de fazer explodir um engenho num avião com destino aos Estados Unidos. É África como um dos principais acolhedores de visões extermistas de alguém que contraria e combate os ocidentais. Isto porque o autor da tentativa de crime, que resultou apenas em queimaduras suas, era filho de um banqueiro nigeriano e teria, com algumas suspeitas do pai nesse sentido, ligações àquela organização islâmica (ou seria, por enquanto, um aspirante). Não deflagrou, mas podia ter deflagrado; não matou, mas podia ter causado a morte a umas dezenas de pessoas.

O segundo é a notícia de que a al-Qaeda estará a planear ataques a partir da sua base... no Iémen. Pois, já não é só no Afeganistão e no Paquistão onde ela está mais activa, tendo-se estendido para um dos países árabes mais pobres, onde veicula os seus valores e ideologias anti-ocidentais e de violência, cada vez mais activamente.

Estes acontecimentos exigem uma reflexão profunda sobre as nossas concepções de guerra e de intervenção, especialmente, claro está, no caso do Afeganistão e do Paquistão e a necessidade de compreensão do conceito mais alargado de segurança, para lá daquele de curto-prazo e de imediato. Não é uma guerra ao terror, não é o eixo do mal; é, simplesmente, conter um dos actuais grupos mais perigosos porque eficazes, influentes, extremistas e violentes, que têm capacidade para pôr em causa a segurança internacional.