sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eleições no Reino Unido II

Para finalizar este dia de resultados eleitorais no Reino Unido, deixo a breve nota sobre o ponto da situação actual. Tal como previsto, Cameron, que venceu as eleições sem uma maioria que lhe garanta estabilidade na governação, quer fazer uma "proposta global e aberta" ao terceiro partido mais votado ontem, o liberal-democrata liderado por Clegg.

Significa que o dirigente dos conservadores prefere um acordo mais estável e a concessão de algumas medidas aos seus eventuais parceiros a ter que desenvolver uma política de constantes conversações com os diferentes partidos - à semelhança do que se passa actualmente em Portugal.

As atenções voltam-se agora para as negociações entre os dois partidos. Em que aspectos cederá um e outro? Conseguirão efectivamente uma governação estável. Eu penso que ela é possível agora com a junção dos dois partidos. As políticas e decisões é que deixarão de ser assim tão lineares e expectáveis, uma vez que estarão ambos no governo. A antiga coligação de Merkel e Steinmeier funcionou relativamente bem para efeitos de governação e a actual com Westerwelle parece ir pelo mesmo caminho. A não perder de vista!

Eleições no Reino Unido

Nick Clegg acaba de fazer uma declaração, na qual afirma que acima de tudo continua a colocar o interesse da população birtânica e a reformulação do sistema político eleitoral. Clegg deixou bem clara a sua mensagem de que privilegiará uma coligação com o partido que tiver mais votos (neste caso, os conservadores), desde que esteja realmente interessado em servir o interesse dos ingleses e de fazer concessões aos liberais-democratas, naturalmente...

A Aspirina para a Rainha


No momento em que escrevo este post (10h30), esta é a situação com a qual os britânicos acordaram:
            
             Tories - 291 MPs
             Labour - 245 MPs
             Lib-Dem - 51 MPs

(Os resultados podem ser actualizados a cada minuto nesta transmissão em directo da BBC)

Duas opiniões estavam nessa transmissão da BBC: uma que defendia que Gordon Brown deveria juntar-se a Clegg e acordar num programa que junte os dois partidos e lhes dê, numa coligação, a maioria absoluta que ainda é possível alcançarem, de forma a que Brown (ou ainda outro trabalhista, como o actual MNE, Miliband) assuma a liderança do governo inglês.

Uma outra corrente está a propor a demissão, com graça, do actual Primeiro-Ministro, para que, interesseiramente, Cameron ocupe o seu lugar e acabe por não conseguir governar com uma minoria que obrigaria a constantes conversações com os Lib-Dem ou os Labour ou ainda à realização de novas eleições das quais, eventualmente, os Trabalhistas sairiam vencedores.

Naturalmente, esta segunda opção parece-me mais rebuscada e menos lógica. Contudo, não podemos ignorar este ou ainda um terceiro cenário, no qual Cameron e Clegg formariam uma coligação e governariam com a maioria absoluta que dá aos ingleses a sempre tão desejada estabilidade política. Ainda assim, uma coligação do centro com a direita parece-me menos provável do que com a esquerda, atendendo às diferenças entre ambos, nomeadamente nas políticas económicas.

Por enquanto, a Rainha deve ter que tomar uma Aspirina: juntando sugestões dos seus conselheiros, aguarda pela decisão final que tem que ser tomada pelos políticos...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dor de cabeça para Sua Majestade

É dia de eleições no Reino Unido. Vários são os cenários apontados pelos analistas e politólogos sobre o resultado desta ida às urnas: maioria para os tories e automática formação de governo, coligação com os lib-dem, lib-dem coligados com os trabalhistas,... Enfim, uma corrida eleitoral que está a prometer luta até ao último segundo das contagens.

Com as implicações internas e externas que cada uma dessas situações possa vir a ter, alguns dados podem ser já tidos como adquiridos: os trabalhistas muito provavelmente pensarão na escolha de um novo líder. Não necessariamente logo após os resultados, mas é certo que Brown não se candidatará mais a Primeiro-Ministro. Isso implicará uma reforma do próprio partido. E será que os Trabalhistas continuarão com a linha da Terceira Via, promovida por Tony Blair e Anthony Giddens? Que modificações serão levadas a cabo e em que sentido? 

Os destinos do Reino Unido vão sentir uma mudança. Mas será ela assim tão visível? Mudarão de facto as políticas? Algumas, sim. Nomeadamente as relações com os Estados Unidos sairão reforçadas destas novas eleições, atendendo à tradição do partido de Cameron. O Afeganistão continuará em força, talvez um maior investimento na defesa e um afastamento de Bruxelas.

O BNP reza (literalmente) para conseguir um assento no Parlamento. Tenta conquistar o lugar através da depauperada e marginalizada cidade de Barking, terreno fértil para fenómenos deste género.

Ficarei atento durante o dia de hoje e amanhã às evoluções que os media nos vão trazendo em tempo real. E aguardamos os resultados com expectativa. Darão os eleitores uma dor de cabeça à sua Rainha?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tecnologia e Estratégia


PowerPoint: "Quando percebermos isto a guerra está ganha"


Artigo do NYT traduzido pelo i e que dá conta da importância estratégica (ou não!) do famoso e tão por todos nós usado Power Point. A citação é do General McChrystal e refere-se ao esquema reproduzido abaixo. Vale a pena ler! Divertido!



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Evento



Na Terça-feira, 4 de Maio, o auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa vai receber a cerimónia final do Prémio Nacional de Jornalismo Universitário. A sessão de abertura terá lugar às 9h30 com o debate “Media e Direitos Humanos”.

Para o painel está confirmada a presença de Fernando Nobre (Presidente da AMI); Laurinda Alves (jornalista); Duarte Miranda Mendes(Chefe de Gabinete da Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural), entre outros convidados, como Fernando Cascais (Director do CENJOR).

Para além dos debates proceder-se-á à entrega dos prémios aos finalistas e participantes (ver programa em anexo). Os prémios incluem, para além de uma experiência e enriquecimento cívico e académico, estágios em órgãos de comunicação social, publicação no Parlamento Global e cursos no CENJOR.

Apreçados em função da originalidade e pertinência do assunto abordado, da criatividade, empenho e excelência, os trabalhos foram avaliados por reconhecidos profissionais em cada categoria:

- Televisão: Cândida Pinto | Coordenadora dos Espaços de Grande Reportagem da SIC;
- Imprensa: Afonso Camões | Presidente da Agência Lusa;
- Multimédia: Paulo Carriço | Editor-chefe de Fotografia e Multimédia da Agência Lusa;
- Fotografia: Luiz Carvalho | Editor de Fotografia e Multimédia do semanário Expresso.
- Rádio:  Arsénio Reis | Sub-director da TSF

Os finalistas são também candidatos ao Prémio Responsabilidade Social votado por um auditório de representantes de ONG’s.

O Prémio destina-se a estimular e incentivar a aposta na formação e desenvolvimento pessoal e académico dos jovens universitários, com a abertura de novos horizontes e a descoberta de experiências, num contacto directo com o que é o Jornalismo, os seus desafios e o seu poder.

 ENTRADA LIVRE

"Uma Expo não é só uma Expo"

O interessante artigo de Francisca Gorjão Henriques sobre a Expo de Xangai (Público, 1 de Maio de 2010):

Algumas fotos do evento podem ser vistas aqui.

"Os números são à escala chinesa e a Expo Xangai 2010 será a maior exposição universal alguma vez realizada. Os seus 5,28 quilómetros quadrados - duas vezes o tamanho do Mónaco ou mil estádios de futebol - deverão receber 70 milhões de visitantes. É também a mais cara: oficialmente gastaram-se quatro mil milhões de dólares (cerca de três mil milhões de euros), mas os media falam em 58 mil milhões (quase 44 mil milhões de euros) para preparar a cidade mais populosa da China para a receber. É a realização de "um sonho com 100 anos", disse o primeiro-ministro. É a China a disparar a arma do seu soft power, dizemos nós.


Depois dos Jogos Olímpicos de 2008, o país oferece a partir de hoje, e nos próximos seis meses, mais uma prova de que estão muito longe os anos de isolamento de Mao Zedong. E isso não acontece num local qualquer. Xangai já foi um porto de entrada do mundo na China; longas décadas depois, o mundo volta a invadir a cidade.

Nada de equívocos: não foi preciso uma Expo Xangai para que de um 60.º andar se olhe em volta e o que haja para ver sejam arranha-céus (há mais de 30 prédios com mais de 200 metros), debruçados sobre o rio ou sobre as vias rápidas que esventram a cidade, turistas e expatriados nos passeios, lojas Louis Vuitton e Gucci e... Xangai era já a cidade mais rica e cosmopolita da China.

Mas há uma mensagem muito clara que Pequim está a passar, e não será apenas para o exterior. Esta é uma forma de demonstrar a sua autoridade e domínio aos próprios chineses, provando que o regime é suficientemente poderoso para receber dois eventos internacionais desta dimensão e num tão curto período de tempo (passaram apenas dois anos desde as Olimpíadas), lê-se numa análise da Reuters. A provar que há uma forte componente interna basta olhar para as previsões: quase 95 por cento dos visitantes virão da própria China.

Por isso há quem lhe chame uma "campanha de distracção maciça" - a expressão partilhada com o diário britânico Guardian é de Anne-Marie Brady, cientista política da Universidade de Canterbury em Christchurch, na Nova Zelândia. "O furor à sua volta serve para ajudar os chineses a sentirem-se optimistas sobre o seu país e pela forma como se está a desenvolver, distraindo-os de outros assuntos mais deprimentes, como desemprego, custo de vida, corrupção e incompetência oficial, acesso a bons cuidados de saúde, subida dos preços do imobiliário", explica Brady. "Na China de hoje, o não político é na verdade profundamente político."

Mais uma vez, o território chinês será pisado por vários chefes de Estado e de Governo, como o Presidente francês, Nicolas Sarkozy (cuja visita à China pretende atenuar as fortes tensões pré-Olímpicos entre os dois países) ou da Rússia, Dimitri Medvedev. Isso faz muitos sentirem-se orgulhosos. "Esperámos 150 anos pela possibilidade de ter uma Expo no nosso país", comenta ao Guardian Wang Xinghua, de 77 anos. "Sinto-me ainda mais contente quando pessoas de outros países nos vêm visitar - representa que a China se ergueu no mundo."

Invenção ocidental

Se recuarmos a meados do século XIX, voltamos a ver uma cidade costeira de importância internacional, quando Xangai se tornou num porto pesqueiro e comercial. Mas este foi também o período da humilhação para os chineses: depois da Guerra do Ópio, as forças britânicas forçaram a abertura e estabeleceram-se ali, em 1842. Franceses, americanos e japoneses juntaram-se às concessões e a cidade ficou tão cosmopolita como Paris. No final do século, o seu território estava parcelado e imune à lei chinesa. Em 1931 havia 70 mil estrangeiros em Xangai; na década seguinte, o dobro.

O Partido Comunista Chinês (PCC) nasceu ali (1921). Mas foi a sua vitória na guerra contra os nacionalistas, em 1949, que levou à "libertação" de Xangai. Ou seja, o PCC pôs um ponto final na presença estrangeira. 

A revista Time lembra no entanto que, apesar da fuga dos expatriados e da transferência em massa da população com formação académica para as províncias menos desenvolvidas, "o cosmopolitismo de Xangai nunca foi totalmente extinto". Ficou com aqueles que não chegaram a sair e que o passavam para as gerações seguintes, desafiando o que se instalou como preconceito de pertencer a uma terra administrada por forasteiros.

"O coração do povo de Xangai está agora a voltar ao que era nos anos 1930 e 1940", diz à revista o romancista Qiu Xiaolong, cujos livros têm a cidade da década de 1990 como palco. "Toda a gente quer regressar àquela glória anterior."

A nova viragem começou nos anos de 1990, com o desenvolvimento da zona de Pudong, na zona leste do rio Huangpu. Algumas razões para a ascensão meteórica da cidade, segundo observadores: instinto de liderança e autoconfiança.

Os espinhos da Expo

Se muitos habitantes estão agora felizes com esta nova demonstração de poder que é a Expo Xangai, também há descontentes. Não são só os raides policiais, que levaram à prisão de mais de seis mil pessoas só em Abril (roubo, prostituição, jogo a dinheiro, venda de conteúdos pornográficos). Não são só as perseguições e violência reportadas pelo Chinese Human Rights Defenders, que diz que seis pessoas foram enviadas para campos de reeducação pelo trabalho - um deles, refere a AFP, é Mao Hengfeng, crítico do Governo, e ficará "afastado" durante 18 meses. Também não é apenas a evacuação de casas para dar terreno à exposição. São todas as restrições, como não soltar papagaios de papel no ar, não sair à rua de pijama (um hábito ainda bastante enraizado), ou não vender facas em supermercados. E, claro, as infindáveis medidas de segurança nos locais públicos, porque as autoridades não pretendem correr riscos. 

"Este é um momento muito importante. Levámos anos a prepará-lo", comenta Hong Hao, vice-presidente da Expo.

A cidade transformou-se, e no caminho gastou ainda mais dinheiro do que Pequim para receber as Olimpíadas. No orçamento contabilizam-se uma série de infra-estruturas - ficou com o serviço de metropolitano mais longo do mundo, dois novos terminais de aeroporto, novas estradas, parques e pontes, para além do novo passeio de 700 milhões de dólares (quase 530 milhões de euros) ao longo do histórico Bund nas margens do Huangpu - e indemnizações que foram necessárias pagar a 18 mil famílias para que deixassem as suas casas. 

Mesmo tendo em conta o ritmo frenético de crescimento urbano no país, aquilo que se passou em Xangai nos últimos oito anos foi descomunal. E sem a Expo as mudanças levariam três vezes mais tempo, estimou ao Guardian Pan Haixiao, especialista em urbanismo da Universidade Tongji. 

"O outro lado é que nos últimos 18 meses provavelmente perdemos mais edifícios antigos do que na última dezena de anos", desabafa à revista Time Paul French, autor e consultor sediado em Xangai.

Cidade melhor, vida melhor

A China será o primeiro país em desenvolvimento a organizar este evento e pretende que esta seja uma plataforma para melhorar as suas relações com o exterior, depois de crises como a censura no Google, a teimosia em não ceder às pressões externas para valorizar o yuan, as frequentes violações aos direitos humanos.

O objectivo é também reavivar o espírito das Expos como grande ponto de encontro internacional e de debate de questões importantes - a deste ano está subordinada ao tema Cidade melhor, vida melhor e pretende abordar tópicos como trânsito, protecção ambiental, energia, lixo e desperdício de água. Tudo problemas que a China conhece bem, porque apesar de a maioria da população ser rural, todos os anos chegam às cidades mais 60 milhões de pessoas; 170 cidades têm mais de um milhão de pessoas e sete mais de dez milhões.

Não será por acaso que dos muitos pavilhões - há um recorde absoluto de participação, com 192 países representados (incluindo os amigos chineses Coreia do Norte, Irão e Birmânia), para além de empresas e organizações - o da China impõe-se sobre todos, com os seus 60 metros de altura.

Há outro objectivo com a Expo Universal: uma rampa de lançamento para fazer de Xangai um novo centro financeiro internacional até 2020, à altura de Nova Iorque e Londres.

O PIB de Xangai multiplicou-se por 65 desde 1990, e a zona de Pundong alberga a bolsa, cerca de 17 mil empresas de capital estrangeiro e 600 instituições chinesas e internacionais, salienta a AFP. Esta será a vingança de uma cidade que foi posta de lado por Deng Xiaoping quando há três décadas arrancou com as reformas económicas do país."

domingo, 2 de maio de 2010

Ashton again...

Já há alguns meses que Catherine Ashton está a exercer funções como Alta Representante. Depois de muita discussão sobre as suas capacidades e adequabilidade para o lugar, eu pensava que a celeuma acabaria por acalmar. Mas afinal não:

“As the turf war for the European diplomatic service (EEAS) continues, MEPs are claiming High Representative Ashton is inexperienced and that she is incapable of handling the task of setting up the new diplomatic service. Ashton is “simply out of her depth” says German Christian Democratic Union MEP Inge Grässle. Grässle adds that the EEAS proposal is “totally on the wrong track.”

The criticism of Ashton follows a statement last Friday by the European Parliament, criticizing the Ashton’s EEAS proposal for not holding the diplomatic service accountable to parliament, and for creating an artificial separation of competencies between the EEAS and Commission in areas related to the European Development Fund and Instrument for Stability. In addition, the parliament was critical of the proposal calling for Ashton’s deputy, the EEAS secretary-general, to be civil servant rather than a political appointee.

Considering the enormity of the task, and the fact that jostling among established institutions vying to influence the direction of the new creation is inevitable, perhaps the critique of Ashton is unfair. Following her appointment as High Representative Ashton was criticized for being a candidate that represented the lowest common denominator. Never mind that her obscurity and inexperience was precisely what landed her the job in the first place. Prior to Ashton’s appointment, names such as David Milliband, Britains foreign minister, former German Foreign Minister Frank-Walter Steinmeier and Massimo D´Alema, a veteran Italian politician, were bandied about Bruxelles. Assuming that one of these candidates was a realistic option, it is hardly clear that these high profile Europeans would have made more headway than Ashton.”

(http://eu.foreignpolicyblogs.com, 21 de Abril de 2010)

sábado, 1 de maio de 2010

Algumas notícias...

Algumas notícias dos últimos dias que merecem destaque:

1.Imprensa tablóide ao ataque contra Nick Clegg.

2. Primeiro-Ministro da Bélgica demitiu-se.

3. O segundo debate no Reino Unido centrou-se na política externa: UE, AMD, Afeganistão figuraram, compreensivelmente, no top das preocupações dos ingleses.

4. Alguns sinais positivos na continuação das conversações de paz entre a Israel e Palestina.

5. As pressões das sanções contra o Irão estão a fazer várias empresas cortar relações com o Irão.

6. Israel terá congelado construções em Jerusalém Oriental. 

7. Jaroslav Kaczynski, irmão do falecido Presidente da Polónia, é candidato à Presidência do país.

8. A Direita vence na Hungria. A extrema-direita soma pontos aqui e na Áustria.

9. Sondagens dão vitória a Cameron no último debate no Reino Unido. Clegg ficou em segundo lugar, com uma prestação muito convincente.

10. NATO está a ponderar Tratado sobre nuclear. A questão vai ser muito delicada e promete grandes tensões.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Opinião pública mundial

Mais contestado dentro do seu próprio país do que fora, um estudo da BBC em 28 países mostra que a imagem dos EUA melhorou com a liderança de Barack Obama. Na realidade, piorar seria muito difícil. A coercibilidade e unilateralidade de Bush criaram muitos inimigos ou, pelo menos, menos amigos. Obama, com uma abordagem mais agradável, mais abrangente e dialogante, no geral, conseguiu que os Estados Unidos melhorassem a sua imagem depois do descalabro causado pela Guerra ao Terror. E como sempre aprendemos nas aulas de RI, a opinião pública é, ela mesma, um importante actor internacional.

Pela primeira vez desde 2005, as opiniões relativamente aos EUA são mais positivas do que negativas. Isto acontece em 20 dos 28 países inquiridos. Transcrevo um excerto do Jornal Público on-line de 20 de Abril para não estar a papaguear os resultados do estudo.

“Os resultados indicam que os EUA são vistos de forma positiva em 20 dos 28 países onde o estudo decorreu, com uma média de 46 por cento dos entrevistados a considerarem a sua influência positiva contra 34 por cento que a vêem como negativa. Desde o ano passado, as opiniões positivas melhoraram quatro pontos e as negativas caíram nove.

Os países onde a imagem dos EUA mais melhorou foram a Alemanha, onde as opiniões positivas subiram de 18 para 39 por cento, e a Rússia, de sete para 25 por cento. Em Portugal, as opiniões positivas subiram 14 por cento (de 43 para 57). Só em dois dos países abrangidos pelo estudo – que assenta em 29.997 entrevistas – a imagem dos norte-americanos é pior do que há um ano: Turquia e Índia. No conjunto, os EUA ultrapassaram a China, cuja influência é vista como positiva em 15 países e por 41 por cento dos inquiridos. “Parece que o ‘efeito Obama’ é real”, disse Steven Kull, da Universidade de Maryland, EUA, que colaborou no estudo.

As opiniões sobre os EUA não são tão boas como as relativas à Alemanha, com uma média de 59 por cento de opiniões positivas, Japão (53), Reino Unido (52), Canadá (51), e França (49). Mas os resultados do estudo da Globe Scan PIPA são um importante progresso para a imagem do país. Irão (15 por cento), Paquistão (16), Coreia do Norte (17), Israel (19) e Rússia (30) são os países com imagem menos positiva.”

quarta-feira, 28 de abril de 2010

UPMUN

A primeira edição do Model United Nations da Universidade do Porto decorrerá nos dias 21 e 22 de Maio de 2010 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

O UPMUN, à imagem de outros eventos académicos que seguem este conceito, consistirá numa simulação da actividade da Organização das Nações Unidas (ONU), nomeadamente do Conselho Económico e Social (ECOSOC) e Conselho de Segurança, com o intuito de proporcionar aos participantes a oportunidade de desenvolverem competências em termos de negociação e de resolução de problemas e de conflitos, bem como as suas capacidades de argumentação e o seu espírito crítico.

Este evento está aberto a todos os interessados, estando as inscrições abertas até 8 de Maio.

Mais informações disponíveis em https://sites.google.com/site/upmun2010/

Inscrevam-se!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Evento

Seminário: «The Asian Diplomacy»
03 de Maio, 2ª feira
10h00

Museu do Oriente (Sala Beijing)

No quadro das celebrações dos 150 anos do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre o Japão e Portugal, a Fundação/Museu Oriente, o IPRI-UNL e a Embaixada do Japão em Lisboa organizam o Seminário «The Asian Diplomacy», no dia 3 de Maio, às 10h00 no Museu do Oriente.

10h00
Open session

Tatsuo Arai, Japan Embassy, Lisbon

Carlos Monjardino, President, Fundação Oriente

Carlos Gaspar, Director, IPRI-UNL

10h30
The Asian Diplomacy

Chair: Tiago Moreira de Sá, IPRI-UNL

THE JAPANESE FOREIGN POLICY: Toshihiro Minohara, University of Kobe

THE CHINESE FOREIGN POLICY: Moisés Silva Fernandes, University of Lisbon

THE EVOLUTION OF EAST ASIA: Luis Tomé, Autónoma University

Entrada livre
Língua de trabalho: inglês

Museu do Oriente (localização)

Evento

Emprego

RECÉM-LICENCIADO Relações Internacionais (M/F)

Somos um grupo empresarial com mais de 30 anos de actividade, sedeado em São João da Madeira, que para dar continuidade aos seus planos de expansão e crescimento, pretendemos reforçar a nossa equipa com a admissão:

Funções:
- Administrativa;
- Secretariado;
- Gestão de Clientes;
- Conhecimento de Mercados Africanos

Competências técnicas:
- Licenciatura na área de Relações Internacionais

Competências linguística:
- Conhecimentos de Inglês (preferencial)
- Conhecimento de Francês

Competências informáticas:
- Conhecimentos de MS-Office e Internet

Competências relacionais:
- Capacidade de trabalho em equipa
- Criatividade, dinamismo, empenho e persistência
- Boa capacidade de comunicação
- Pessoa dinâmica, pro-activa e com gosto pelo trabalho e trato directo com as pessoas
- Disponibilidade para viajar

Serão consideradas, todas as respostas recebidas com carta de motivação, juntamente com o envio do Curriculum Vitae, para a seguinte morada:

Cavex, Lda
A/C: Teresa Rodrigues
Apartado 6001
3701-907 S. João da Madeira

Candidaturas até dia 30 de Abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Extrema-Direita III

Candidata da extrema-direita com 15,62 por cento nas presidenciais austríacas.

Koninkrijk België ou Royaume de Belgique ?


A Bélgica é um país complicado em termos de identidades e representação política. Recentemente esteve numa situação periclitante e agora vê-se novamente envolvida em complicações e instabilidade política.

Depois da saída do governo de um dos partidos da coligação que o formavam, o Primeiro-Ministro belga apresentou, igualmente, a sua demissão. No centro desta oposição entre partidos estão questões linguísticas que dividem francófonos e flamengos e assim voltaremos a assistir à formação de novo governo e à procura da estabilidade naquele país europeu.

domingo, 25 de abril de 2010

Extrema-Direita II

Sem mais comentários, transcrevo a notícia do Público de hoje:

"Voto na extrema-direita é incógnita das eleições austríacas

A dúvida das eleições presidenciais de hoje na Áustria não é quem ganha - o social-democrata Heinz Fischer parece ter a reeleição assegurada -, mas que percentagem de eleitores escolherá a candidata de extrema-direita Barbara Rosenkranz, que deve ser a segunda mais votada.

As sondagens dão a Fischer, de 71 anos, intenções de voto entre 80 e 82 por cento, garantia quase absoluta de um segundo mandato de seis anos na chefia do Estado. Foi eleito para este cargo em 2004, após o que deixou a militância no SPÖ e se declarou independente.

Não fossem as perturbadoras propostas de Rosenkranz, de 51 anos, mãe de dez filhos, e a campanha eleitoral teria passado quase despercebida, notou a agência AFP. Com o argumento de defesa da liberdade de expressão, a representante da ala mais radical do partido populista de extrema-direita FPÖ reafirmou as suas ideias de reforma da lei que proíbe actividades neonazis e opiniões negacionistas e referiu-se à negação do Holocausto por um deputado do seu partido como um acto de liberdade de expressão.

A "franqueza" de Rosenkranz, que se descreve como uma "nacional conservadora" e defende a ideia de que o papel da mulher é ficar em casa a criar filhos, reflectiu-se de imediato nas sondagens. Os cerca de 20 por cento de intenções de voto baixaram para 13 a 16 por cento, nas sondagens publicadas a uma semana das eleições. Face à controvérsia, inclusive no seio do FPÖ, a candidata arrepiou caminho: jurou que não duvida da existência do Holocausto e que não tem nada a ver com a ideologia nazi.

ÖVP não vai a jogo

Mas o facto de não se ter demarcado das actividades do marido, Horst, que, recorda a AFP, esteve na fundação do partido neonazi NPD, actualmente interdito, não a ajuda. Nem isso nem um vídeo colocado no You Tube, que, lembrava ontem o britânico The Times, a mostra em celebrações do solstício de Verão, integrada num grupo que canta uma velha canção adoptada pelas SS de Hitler, em que se percebe a voz clara da única deputada austríaca que, em 2005, votou contra a Constituição Europeia.

A ausência de um candidato conservador forte - o ÖVP, que integra o Governo de grande coligação liderado pelos sociais-democratas do SPÖ, não apresentou candidato, devido às perspectiva de reeleição de Fischer - poderá beneficiar Rosenkranz, que os membros do seu partido querem que seja uma "mãe para a Áustria".

Os resultados da candidata, que considera a imigração "errada e perigosa" e se opõe à construção de minaretes nas mesquitas, são aguardados com expectativa. A derrota era um dado adquirido à partida, mas uma votação significativa será um estímulo para os radicalismos nacionalistas europeus. O FPÖ e o outro movimento de extrema-direita austríaca, BZÖ somaram nas eleições europeias do ano passado 17,74 por cento.

O terceiro candidato à Presidência é Rudolf Gehring, presidente do pequeno partido cristão CPÖ, que recolhia por quatro a cinco por cento das intenções de voto. Os Verdes, na oposição, optaram por apoiar o Presidente, como forma de travar a extrema-direita. Entre os 6,35 milhões de austríacos que hoje são chamados às urnas estão, pela primeira vez, eleitores com 16 anos."