segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Irão

No outro dia, quando vagueava pelo meu próprio blogue, reparei que, estatisticamente, a etiqueta "Irão" foi das mais usadas aqui, apenas depois de "eleições" e "União Europeia". Mais do que democracia, do que Afeganistão ou mesmo Turquia. Espantei-me. Mas em honra a essa informação estatística, deixo aqui duas breves notas relativas a este país.

A primeira prende-se com a perda de um pequeno aliado, a Gâmbia. Este país, sem mais explicações, cortou todas as relações com o Irão - diplomáticas, económicas, institucionais, etc. Os representantes iranianos tiveram dois dias para abandonar o país. As razões desta mudança brusca na posição da Gâmbia, que até apoiava Ahmadinejad na sua luta pelo direito ao nuclear, não são conhecidas. Mas, como lembra a notícia do Público, já em tempos o Presidente deste pequeno país africano mudou repentinamente o nome de uma Avenida que tinha ele próprio baptizado de Khadafi para o anterior.

A segunda notícia também é negativa para o Presidente iraniano: segundo este artigo do Público, o Parlamento iraniano está a debater a impugnação de Ahmadinejad. Essa discussão foi proibida pelo Supremo Líder, mas mesmo assim há deputados que estão a lutar para que ela regresse àquela instituição. Não contava, sinceramente, com uma oposição do Parlamento tão visível; as desavenças são conhecidas, mas algo tão claro e "descarado" não era, para mim, previsível, ainda para mais com a oposição do ayatollah Ali Khamenei.

"Segundo revelou o diário "The Wall Street Journal " na sua edição de ontem, as acusações incluem a importação ilegal de gasolina e de petróleo e o levantamento 590 milhões de dólares do fundo de reserva do país no estrangeiro sem a aprovação do Parlamento. Cerca de 40 deputados, incluindo Mousa Reza Servati, chefe do comité de orçamento do Parlamento, já assinaram a moção."

domingo, 28 de novembro de 2010

WikiLeaks!

Já foram tornados públicos os primeiros documentos supostamente secretos da diplomacia americana! Prometo alguns comentários aqui no blogue!!

Cinema nas Relações Internacionais

Reproduz-se em baixo o trailer de um filme turco que vai deixar ainda mais tensas as relações entre este povo e os israelitas. Foi realizado com base no incidente da flotilha que aconteceu há alguns meses e que todos ainda recordamos. Aguardo a reacção de Israel.

sábado, 27 de novembro de 2010

O meu país...

Não sou nacionalista, não me emociono com o hino ou com a bandeira. Não me identifico com Portugal, até. Mas hoje não pude deixar de transcrever alguns excertos de uma entrevista que o Público fez a Simon Svergaard, presidente do Reputation Institute, cujo relatório colocou Portugal em 19.º lugar (numa lista de 39 países) que tem em consideração a reputação do país. Será isto causado pelo nosso "medo de existir"? Falhamos na comunicação?

"Quando se vive num país, tende-se a ser mais positivo para com esse país. Em Portugal, isso não acontece. Quanto à percepção por parte dos países do G8, Portugal é um país muito bonito e com um estilo de vida apelativo. Em contrapartida, tem pontuações mais baixas ao nível do avanço económico, por ser um país que não se identifica com nenhuma grande marca e por ser visto como pouco desenvolvido no campo da tecnologia, quando, na realidade, é bastante desenvolvido.

Isso quer dizer que esses avanços não são suficientemente visíveis?
Sim. Portugal tem uma rede de infra-estruturas viárias que é das melhores da Europa, tem uma rede de comunicação moderna, um sistema bancário em que todos os ATM estão interconectados. Há países considerados muito desenvolvidos, como os da Escandinávia, que não têm estes avanços. O problema é: será que o resto do mundo sabe desta faceta? Portugal tem capacidade para se posicionar como um dos países líderes da Europa no campo da tecnologia, mas, para isso, tem de começar a comunicar o que faz.

Mas acha que Portugal está já a perder reputação?
Não. Mas acho que o Governo português está a esconder-se da tempestade, à espera que esta desapareça. Se o Governo quer melhorar e aumentar reputação, tem de assumir responsabilidade de prestar atenção ao que se diz sobre o país lá fora e desempenhar um papel mais activo na comunidade global. Portugal acaba de ser nomeado para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem Durão Barroso à frente da Comissão Europeia, tem de saber aproveitar-se disso para aumentar a sua presença a nível internacional."

Podem fazer a leitura na íntegra aqui. 

[A segunda imagem é uma homenagem à Sara que fez parte desta bandeira.. ;)]

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"Balancing China’s Rise with India’s Aspirations"

O título deste post é da autoria de Nuno Monteiro, professor de Ciência Política em Yale, cujo blogue eu aconselho a lerem. 

O post está relacionado com os dois países mencionados no título e, como não poderia deixar de ser, os Estados Unidos. Nuno Monteiro acredita na formação de uma "coligação" entre os EUA e a Índia para contrabalançar a influência de uma China crescente. Efectivamente, a oferta do apoio da Casa Branca a um assento permanente no CS da ONU é um sinal dessa aproximação, que deve desagradar a China. 

No entanto, não pode ignorar-se o efeito perverso dessa aliança: a luta contra o terrorismo e o envolvimento do Paquistão, como o autor tão bem aponta. Que incentivo terá o Paquistão para continuar a apoiar os Estados Unidos numa luta que não lhe traz aparentemente benefícios? Não será mais fácil ceder aos apelos dos terroristas que se instalaram no seu território do que a uns EUA que se aliam cada vez mais ao seu inimigo número um, a Índia? Porquê apoiar um país que pode ajudar o inimigo a reforçar a sua posição na região?
Estas são questões fundamentais que têm que ser ponderadas com a devida precaução. Os Estados Unidos continuam, como dá para ver, no meio de todos estes fluxos. O sucesso no Afeganistão também pode em muito depender desta ligação. E a China? Até onde conseguirão os EUA fazer-lhe frente com uma aliança com a Índia? Serão os dois capazes de contrabalançar o peso chinês? E o que pedirá em troca a Índia? Apoio face ao Paquistão? Um faca de dois gumes, um jogo perigoso.

O post pode ser lido na íntegra (e o blogue acompanhado) aqui. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Evento

E assim o Papa mudou a posição da Igreja

Como líder da Igreja Católica, o Papa Bento XVI fez uma inflexão nas suas próprias declarações e promoveu uma ligeira abertura nesta organização ao afirmar que o preservativo, "em certos casos" e para reduzir o risco da SIDA, pode ser utilizado. É claro que nem me debruço sobre a necessidade desta posição da Igreja, mas como critiquei aqui a afirmação do Papa há alguns meses, penso que deveria fazer agora esta achega e congratular a Igreja por este (pequenino) passo.

Numa instituição onde qualquer forma de contracepção é proibida, com excepção da abstinência sexual, uma frase destas alivia-nos e faz-nos pensar na possibilidade de alguma abertura, aos bocadinhos: 

“Em certos casos, quando a intenção é reduzir o risco de contaminação, este pode mesmo ser um primeiro passo para abrir caminho a uma sexualidade mais humana, de outra forma vazia”, afirma Bento XVI."  
A partir do Público.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pragmático

Em tempo de crise, David Cameron, quando esteve na China, mostrou-se pragmático:

Call for Papers

CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA E CIÊNCIA POLITICA 

OUTRAS VOZES na República 1910-1926

 Figueira da Foz - 12, 13 e 14 de Maio de 2011

Apresentação
Os 100 anos da I República portuguesa convocam não só a celebração de um ideal político e social que é, hoje, parte integrante da matriz ideológica do mundo ocidental, como constituem uma oportunidade para observar com maior acuidade, um período basilar da nossa história nacional. Porque na política, na vida e na História quase nada é consensual, só se pode aspirar à compreensão de um facto através do entendimento dos vários planos que o constituem. Faz, pois, todo o sentido que no momento em que se debruçam as atenções sobre o estudo da I República portuguesa, se insira nessa abordagem a perspectiva do Outro.
Assim, o congresso [WINDOWS-1252?]“OUTRAS VOZES na República [WINDOWS-1252?]1910-1926” propõe-se discutir a verdadeira riqueza e complexidade da I República portuguesa. Trata-se de uma oportunidade para promover a interacção entre comunidade académica, jovens investigadores e público interessado numa reflexão plural e dinâmica inserida no debate em curso sobre a I República. Espera-se que entre mesas redondas, tertúlias, jantares, conferências, inauguração de exposição, passeios culturais e outras surpresas se propiciem três dias de discussão, trabalho e convívio.
Neste quadro, o Museu da Presidência da República convida todos os interessados a submeter comunicações científicas originais sobre temáticas nas áreas de História e Ciência Política.
Prazos e condições de submissão de propostas

O prazo para apresentação de comunicações decorre até 31 de Janeiro de 2011. As propostas de comunicações devem ser enviadas para o endereçooutrasvozes@presidencia.pt, preenchendo a Ficha de Inscrição do congresso e acompanhadas de um breve CV (limite de 1 página).
Os autores serão informados sobre a aceitação das suas propostas até 28 de Fevereiro de 2011.
Para mais informação, consulte o documento do Call for papers ou a página web do congresso http://outrasvozesnarepublica.wordpress.com/

Call for Papers


CALL FOR PAPERS – UACES Conference "Exchanging Ideas on Europe" Cambridge 2011
"The EU’s Comprehensive Approach: Towards Coherent Action?"

Dear Colleagues,
I am seeking papers for panels on ”The EU and the Implementation of a Comprehensive Approach to Security” for the UACES General Conference in Cambridge 5-7 September 2011.
Potential contributions should discuss various aspects of the EU’s Comprehensive Approach to Security, and the way it is implemented in different policy areas. Papers focussing on any of the following three functional interfaces are particularly welcome:
·         Implementing Comprehensive security I: the structural-operational interface:
this includes coordination issues across the interface between security and development, security and trade, security and environment, etc. – the emphasis lies on horizontal coherence in security matters.
·         Implementing Comprehensive Security II: the internal-external interface:
this concerns all coordination issues between the internal and the external aspects of security; papers could focus on EU-level implementation or on the role of single member states or groups of member states;
·         Implementing Comprehensive Security III: the civil-military interface
coordination between the civilian and the military aspects of security policy; this has a particular focus on intra-CSDP coordination, mostly at the strategic and the operational levels (matters of tactical civ-mil cooperation only to the extent they focus on the EU’s comprehensive approach)
Research agenda papers conceptualizing comprehensive security and discussing the overall implementation by the EU will be considered as well.
Ideally, we will have a line-up of three consecutive panels. Depending on the outcomes and overall arrangement, publication in an edited volume will be envisaged.
Please send a brief expression of interest a.s.a.p. to carmen.gebhard@nottingham.ac.uk to enable coordination at an early stage. Full abstracts (max. 200 words) including name, affiliation and contact details will be due by 5 December 2010.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Call for Papers

Conference on Supranational Governance and European Security at the University of Salford
27-28 January 2011 
We invite abstracts from both advanced research postgraduate students and established researchers for our multidisciplinary conference on 'Supranational Governance and European Security', to be held at the University of Salford (Greater Manchester) on 27-28 January 2011. The conference will aim to assess the role of European institutions in European security, as well as substantive security policies in Europe, in a multidisciplinary perspective. It is funded by the European Commission Jean Monnet Programme/Lifelong Learning Programme (EUSIM project), as well as the Manchester Jean Monnet Centre of Excellence.
The European Union (EU) is making strong inroads into areas of security traditionally reserved to states. Many scholars who analyse the EU's role in the security field tend to focus on military-related problems. However, given the characteristics of today's security problems, military capabilities do not represent the entire range of issues in security policies. Security concerns are increasingly triggered by fundamental challenges, such as terrorism, climate change, migration, and many other 'soft security issues'. The EU itself fully expressed this range of threats in the European Security Strategy (ESS) of 2003.
The main aim of this conference is to bring together scholars with a research interest in European Union security issues and institutions in their broadest sense. It will evaluate the increasing role of EU institutions in the governance of European security, which is itself becoming increasingly important for the process of European integration in general. The proposed conference is aimed at all academic members of staff and students who share an interest in European security issues and institutions.
Confirmed speakers include:
Professor Emil Kirchner, University of Essex
Professor Jolyon Howorth, Yale University
Professor Thomas Christiansen, University of Maastricht
Professor Ben Tonra, University College Dublin
Professor Michael Smith, Loughborough University
Professor David Allen, Loughborough University
Professor Andrew Geddes, University of Sheffield
Professor Sophie Vanhoonacker, University of Maastricht
Professor Richard Whitman, University of Bath
Professor Neill Nugent, Manchester Metropolitan University
Professor Thierry Balzacq, Namur University
Professor John Vogler, Keele University
Dr Javier Argomaniz, University of St Andrew
Dr Oldrich Bures, Metropolitan University Prague
Dr. David Galbreath, University of Bath
Dr. Tom Casier, University of Kent Brussels
Dr. Giselle Bosse, University of Maastricht
Dr. Alistair Shepherd, Aberystwyth University
Dr. Dimitris Papadimitriou, Manchester University
We welcome paper proposals on any aspect of European Security and Supranational Governance engaging with past and future developments in the area, in particular after the Lisbon Treaty:
* papers examining the role of European institutions in European security matters, including EU institutions, agencies, etc
* papers examining European policies on security issues in the broad sense, pre and post Lisbon;
* papers dealing with individual CFSP policies, as well as the External Action Service;
* papers dealing with individual AFSJ policies, such as: asylum, migration, borders, criminal justice and police cooperation, counter-terrorism and intelligence cooperation.
We welcome contributions from all disciplinary perspectives. We aim to contribute to the travel costs of presenters, depending on the number of participants and availability of funds.
If you are interested in presenting a paper, please send the following information to the organisers Dr Christian Kaunert (c.kaunert@salford.ac.uk) and Dr Sarah Leonard (s.leonard@salford.ac.uk) by Friday 17 December 2010:
1. an abstract of up to 250 words
2. your contact details:
a. Name
b. Institution
c. Full Postal Address
d. Email address
 
Please do not hesitate to get in touch should you have any questions.

Erasmus Mundus

Ghent University would like to inform you about the opportunities offered to EU-students within the framework of the Erasmus Mundus Action 1.
Since 2010, EU-students can also benefit from dedicated scholarships to participate in Erasmus Mundus Master Courses or Joint Doctoral Programmes.
Currently, Ghent University and its partner universities are offering the following joint programmes:
Erasmus Mundus Action 1 Scholarships are awarded on a competitive basis. During their programme students are obliged to study in at least two EU-countries, different from the country where they obtained their last degree. Certain programmes also offer the possibility for short stays in non-EU-countries. Successful students are awarded a double or joint degree.
Application for enrolment and scholarships is directly through the secretariats of these programmes. The application period for next academic year lasts till January 2011. For more information on these programmes, please contact the programmes directly, through the web-links above.
Please find attached a flyer on the same topic, provided by the European Commission’s Executive Agency.
We would highly appreciate if this information could be forwarded to student advisory staff, as well as the students and/or alumni of your institution.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Call for Papers

CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA E CIÊNCIA POLITICA 

OUTRAS VOZES na República 1910-1926

 Figueira da Foz - 12, 13 e 14 de Maio de 2011

Apresentação
Os 100 anos da I República portuguesa convocam não só a celebração de um ideal político e social que é, hoje, parte integrante da matriz ideológica do mundo ocidental, como constituem uma oportunidade para observar com maior acuidade, um período basilar da nossa história nacional. Porque na política, na vida e na História quase nada é consensual, só se pode aspirar à compreensão de um facto através do entendimento dos vários planos que o constituem. Faz, pois, todo o sentido que no momento em que se debruçam as atenções sobre o estudo da I República portuguesa, se insira nessa abordagem a perspectiva do Outro.
Assim, o congresso “OUTRAS VOZES na República” propõe-se discutir a verdadeira riqueza e complexidade da I República portuguesa. Trata-se de uma oportunidade para promover a interacção entre comunidade académica, jovens investigadores e público interessado numa reflexão plural e dinâmica inserida no debate em curso sobre a I República. Espera-se que entre mesas redondas, tertúlias, jantares, conferências, inauguração de exposição, passeios culturais e outras surpresas se propiciem três dias de discussão, trabalho e convívio.
Neste quadro, o Museu da Presidência da República convida todos os interessados a submeter comunicações científicas originais sobre temáticas nas áreas de História e Ciência Política.
Prazos e condições de submissão de propostas

O prazo para apresentação de comunicações decorre até 31 de Janeiro de 2011. As propostas de comunicações devem ser enviadas para o endereçooutrasvozes@presidencia.pt, preenchendo a Ficha de Inscrição do congresso e acompanhadas de um breve CV (limite de 1 página).
Os autores serão informados sobre a aceitação das suas propostas até 28 de Fevereiro de 2011.
Para mais informação, consulte o documento do Call for papers ou a página web do congresso http://outrasvozesnarepublica.wordpress.com/

Resultados da Cimeira V

Mais resultados e reflexões sobre a Cimeira:

8. A Rússia aceitou participar no escudo de defesa anti-míssil. Mais: aceitou reforçar a cooperação com a NATO no âmbito da guerra no Afeganistão. Ainda é cedo para avaliarmos qual efectivamente o envolvimento da Rússia com esta organização, mas a ideia de reset das relações regressou e, com ela, a esperança de uma maior proximidade entre os dois blocos. Estou, como de costume, optimista: as vantagens mútuas de acordos desta natureza e a pré-disposição de ambos os lados para cooperar têm sempre grandes probabilidades de sucesso; houve concessões e a parceria está lançada. Agora, é aguardar pelos resultados.

9. Em 2011 a Alemanha será o local de uma nova conferência sobre o Afeganistão.

10. O encontro bilateral EUA-UE foi mais uma prova da falta de vigor deste relacionamento. Apesar de alguns diplomatas considerarem que é no dia-a-dia que este relacionamento se vai construindo, a recusa de Obama ir a Bruxelas para este encontro e obrigar a que ocorresse em Lisboa, o envio de Biden num anterior e o cancelamento de um outro só mostra que o Presidente, que é tão popular no continente, está mais virado para o Pacífico do que para o Atlântico. Os resultados deste encontro foram escassos. E foi sintomático do que se passa entre Washington e Bruxelas. (Sobre isto, pode ler-se este comentário de Teresa de Sousa no Público)

sábado, 20 de novembro de 2010

Resultados da Cimeira IV

Mais resultados da Cimeira:

6. A retirada do Afeganistão fica agendada para o final do ano de 2014 (era expectável, uma vez que já Obama tinha falado em retirada por volta dessa data).

7. A NATO continuará no terreno após a retirada militar para apoiar o Afeganistão. Fala-se mais em transição do que em retirada; nenhum país anunciou uma data diferente desta para a sua retirada individual. A intenção é permanecer para além de 2014 até a transição estar concluída. (A minha pergunta: será que isso vai algum dia acontecer, atendendo ao panorama actual?)

Resultados da Cimeira III

Ainda não é um resultado, mas uma promessa de um resultado que seria estupendo para esta Cimeira:

- A NATO convidou a Rússia para participar no sistema anti-míssil que se prepara para desenvolver; um projecto na ordem dos 200 milhões de euros e que servirá para proteger todo o território da Aliança Atlântica, assim como o russo. Isto seria o inaugurar de uma nova Era nas Relações Internacionais, onde, finalmente, a Rússia deixaria de ser perseguida como o inimigo da Guerra Fria e começaria mais intensamente a fazer parte do concerto internacional em termos de estratégia e segurança, não obstante as diferenças que ainda marcam ambas as partes. 

Não consigo evitar, assim, de fazer referência a um artigo de Alexander Wendt, que, ao confirmar-se esta situação, estará mais em voga do que nunca e deitará por terra alguns dos pressupostos de que os realistas não conseguem afastar-se: "Anarchy is what states make of it: the social construction of power politics". A anarquia é, de facto, o resultado daquilo que os Estados construírem, nomeadamente em situações como esta. 


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Resultados da Cimeira II


Mais alguns resultados da Cimeira:


3. Foi aprovado o novo conceito estratégico da NATO

4. Barack Obama anunciou o acordo para o escudo anti-míssil que visará proteger todo o território da Aliança. Falta apenas alguns detalhes serem acertados. Para mim, mais importante ainda é a palavra de Medvedev, uma vez que este escudo implica a colocação de radares e outros dispositivos na Europa de Leste-

5. França e Alemanha chegaram a acordo sobre escudo anti-míssil. 

Resultados da Cimeira I


Algumas novidades da Cimeira:


1. Portugal reforçará a sua presença militar no Afeganistão;

2. A base militar da NATO em Oeiras, apesar de ser redimensionada em número e hierarquia, permanecerá em funcionamento. (Uma meia vitória da diplomacia portuguesa, uma vez que estava para ser encerrada)

Mais um sobre a Cimeira

Decidi não escrever nenhum longo post sobre a Cimeira da NATO que está a decorrer em Lisboa, uma vez que o tema já fez, faz e continuará a fazer correr muita tinta - e muito bater de teclas nos casos digitais.

Só quero fazer uma referência à importância desta Cimeira que pode ser muita ou nenhuma: a agenda dos assuntos em discussão (Afeganistão, conceito estratégico, relações com a Rússia,...) realmente consegue criar com facilidade este paradoxo. Se conseguirem de facto tratar estes pontos com sucesso, ou seja, chegar a conclusões importantes e palpáveis, será uma Cimeira a recordar. No entanto, com as expectativas que tem criado nas últimas semanas, o tratamento superficial destes temas ou a ausência de resultados visíveis e reais pode retirar todo o valor e impacto que a Cimeira causou.

Assim, ficaremos a aguardar pelo desenvolvimento dos trabalhos, desejando eficiência a todos os diplomatas e líderes envolvidos!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Call for Papers

Call for Papers

Global Governance as Public Authority: Structures, Contestation, and Normative Change

Hertie School of Governance, Berlin: 15 & 16 April 2011

Global governance has gained increasing importance in politics, law, and other realms of public order. This is reflected in the growing contestation over global issues among governments, NGOs, and other domestic and trans-national institutions. Much of this contestation draws its force from conceptual analogies with Œtraditional rule‚: it assumes that institutions of global governance exercise public authority in a similar way as domestic government and reclaims central norms of domestic political tradition, such as democracy and the rule of law, in the global context. Scrutinising this assumption, the workshop aims to shed light on the processes that underpin change in global governance. What is the content of new normative claims? Which continuities and discontinuities with domestic traditions characterise global governance? How responsive are domestic structures to global governance? How is global governance anchored in societies? And which challenges arise from the autonomy demands of national (and sometimes other) communities?

We invite contributions on the broader theme of public authority in global governance and encourage in particular submissions on the three sub-topics outlined below. The workshop will gather 20-25 scholars from different disciplines for an in-depth debate on the proposed topics. We will be happy to receive proposals from scholars at any level ˆ PhD students at an advanced stage, postdoctoral and more senior researchers alike. Travel and accommodation allowances of •200-400 will be provided (depending on travel distance and actual expenses).