terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bundeswehr

As Forças Armadas alemãs vão ser transformadas. A proposta é do Ministro da Defesa, Karl Theodor zu Guttenberg, que, contrariando o seu partido, procura diminuir o número de efectivos e eliminar a conscrição obrigatória, ao mesmo tempo que moderniza as Forças Armadas e as tenta tornar mais eficazes, profissionalizando-as.

Para muitos, para a Alemanha passar de potência económica a uma que pudesse desafiar outros grandes países, teria que reforçar o seu poderio militar – a força do poder material conjugada. Com uma reforma desta natureza, caso avance, afasta-se desse nível. Para mim, consolida-se como país europeu, que aposta na ajuda humanitária e na intervenção meramente necessária, no âmbito do “soft power” da União Europeia.

Ainda assim, este assunto continua muito polémico na sociedade alemã e promete originar várias discussões sobre este tema.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Cheias no Paquistão

As cheias no Paquistão causaram a morte a centenas de pessoas e afectaram mais de 17 milhões. Além de lamentar todas estas fatalidades, é de destacar o papel das organizações humanitárias, nomeadamente da ONE, que ajudaram na deslocação destes paquistaneses, mesmo sabendo que corriam o perigo de ser atacados pelos taliban, que os ameaçaram nesse sentido. Em 48 horas foram deslocados mais de um milhão de cidadãos, apesar da dificuldade dos acessos. 

domingo, 5 de setembro de 2010

I will survive

Achei esta notícia do Público do dia 13 de Agosto, absolutamente deliciosa:

“Sobrevivente do Holocausto dança “I will survive” em Auschwitz”

O senhor, de 89 anos, dançou com os netos este hino e causou muito descontentamento. Para mim, não foi nenhum desrespeito para com a memória de todos os que sofreram naquele campo. Foi, isso sim, uma forma de honrar aqueles lá terminaram a sua vida (como a sua mulher) e os que sobreviveram à tirania do Nazismo. Relembrar o seu sofrimento e o valor da vida e da dignidade humanas. Kohn Jane Korman diz que, a partir do filme que fizeram, deixou de ser uma vítima e passou a ser um sobrevivente. Ganhou.

sábado, 4 de setembro de 2010

O percurso até à paz? (III)

Ainda assim, nenhuma das partes se furtou ao encontro. Sem condições prévias, os dois líderes chegaram a Washington e cumpriram a sua parte, lamentando os ataques mútuos, mas dizendo que não seriam suficientes para boicotar o acontecimento.

Netanyahu fez ainda uma surpresa. Dizendo que as negociações deveriam ser discretas e que poderiam ser concretizadas duas vezes por mês, este Primeiro-Ministro já no seu segundo mandato, prometeu surpreender os cépticos do processo de paz, sem contudo deixar de assegurar que tinham que zelar pelos interesses de Israel. Naturalmente, todos esperam que ambas as partes o façam. A grande questão que se coloca é até que ponto ambos estão dispostos a ceder para concretizar esta paz. O seu Ministro da Defesa dizia que estavam disponíveis para entregar partes de Jerusalém, mas tal não foi confirmado pelo chefe do governo.

A 1 de Setembro, em Washington, Obama recebeu isoladamente Netanyahu, Abbas e os líderes do Egipto e da Jordânia, todos muito empenhados na resolução deste caso. Tiveram ainda um jantar em conjunto de onde resultou a reiteração dessa mesma intenção. No segundo dia, o foco deslocou-se para a Secretaria de Estado, encabeçada por Hillary Clinton. À partida, no final do mês ocorrerá a segunda volta destas conversações directas, mas já no Médio Oriente.

Alguns analistas consideram que o P-M israelita está no auge do seu poder político como já ninguém estava há uma geração, tendo uma grande margem de manobra e nenhum opositor à altura. Aluf Benn chama-o de “Gorbatchev israelita” e esperemos que assim seja. Aquele que sempre se opôs à solução dos dois Estados poderá ser aquele que venha a acabar por consegui-la.

Seria um acontecimento histórico; digno de celebração, um segundo Muro de Berlim a cair. E a resolução pacífica deste conflito e o entendimento das duas partes provaria ao mundo que os realistas nem sempre têm razão com os seus cálculos e a sua percepção da condição humana. Há interesses a defender nas duas partes, mas há também vontade de paz e estabilidade; há um processo histórico que desgasta as duas entidades, as duas populações; um processo que custa vidas e sofrimento. E a sua resolução seria motivo de orgulho para a comunidade internacional e para todos os que se preocupam com a dignidade humana. Não me iludindo com a celeridade do processo nem com a aceitação pacífica por parte de algumas facções das populações em causa, sinto que uma solução será possível.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O percurso até à paz? (II)

Não quer isto, contudo, dizer que Israel esteja isento de culpas. Como muitas vezes manifestei no blogue, este país tem sido um grande entrave. Compreendem-se naturalmente as suas reticências: integridade territorial, opinião pública, oposição religiosa, ódios históricos, segurança do país, etc. Para piorar a situação, o apoio inabalável dos Estados Unidos sempre deu a Israel motivos para não temer qualquer inimigo. Washington protegia sempre os golpes – especialmente com Bush. Na era Obama e Clinton, a situação deixou de ser tão linear assim. Na realidade, várias vezes foi condenado o comportamento dos israelitas. Não podemos esquecer-nos daquele episódio diplomático em que Netanyahu mandou continuar a construção de colonatos ainda Mitchell não estava longe, numa clara falta de delicadeza e de tacto diplomáticos. Os americanos ficaram irados e Netanyahu pediu desculpa.

Neste longo processo, como dizia, vários acontecimentos tiveram lugar e poderiam ter deitado tudo a perder. A 15 de Agosto, o Ministro do Interior israelita, uma ultra-conservador, pretendia deportar 400 crianças filhas de trabalhadores imigrantes. Nem com o pedido da mulher do Primeiro-Ministro, ele condescendeu. Um outro Ministro do gabinete considerou a decisão deplorável e afirmou mesmo não ser aquele o Estado judaico que ele conhecia. De facto, acaba por ser uma ironia que um povo que tenha sido artificialmente colocado num território já ocupado, que tenha enfrentado o desagrado dos vizinhos e que se tenha deslocado em massa para lá, acabe por expulsar do país alguns imigrantes com medo de arruinar o “projecto sionista”. Rapidamente esqueceram a sua história.

A 29 de Agosto, o líder espiritual do partido religioso Shas, o rabi Ovadia Yosef, opôs-se frontalmente a todo o processo de negociação entre as duas partes, pedindo publicamente o assassínio do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas. Este detestável homem apelava ao uso de bombas contra os palestinianos e à sua eliminação.

Do lado contrário, vinham também ataques: a 31 de Agosto, quatro israelitas morreram num ataque levado a cabo por palestinianos e colonos perto de Hebron, na Cisjordânia, reivindicado pelo Hamas, contra as negociações. 


(Continua)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O percurso até à paz? (I)

Retomo esta nova temporada do Internacionalizzando com um tema que gosto particularmente: o conflito isarelo-palestiniano.

Desde Julho que se preparam conversações directas entre as duas partes.Netanyahu dizia-se pronto para encetar esse passo no processo de paz, a Liga Árabe apoiava-as igualmente e Abbas também condescendeu. Portanto, desde o fim do mês de Julho que este encontro diplomático, que tem estado a ter lugar ontem e hoje em Washinton, começou a ser preparado.

George Mitchell, o enviado dos Estados Unidos, desenvolveu um muito complexo processo de negociações indirectas entre ambas as partes; o Quarteto Internacional (EUA, UE, ONU e Rússia) também tem promovido o diálogo e uma solução justa para este problema que não avança há 17 anos. Conversações directas já não se realizavam há 20 meses.

No entanto, como era de esperar, deram-se entretanto alguns incidentes que pretendiam mostrar o descontentamento de algumas facções da sociedade face a este entendimento. Na realidade, falamos especialmente do Hamas em Gaza, organização terrorista que tenta inviabilizar qualquer solução.
A 31 de Julho, um ataque aéreo israelita matou um oficial do Hamas em retaliação a um rocket enviado de Gaza para território de Israel. A 2 de Agosto um outro rocket, desta vez do Hamas, atingiu um resort na Jordânia, apesar de a sua intenção ser afectar o sul de Israel. 

(continua)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Emprego

Empresa: Grupo Português com operações no mercado doméstico e exterior.

Descrição das Funções:
Oferece-se estágio profissional de nível 5 de qualificação IEFP de 1 ano na área de Relações Internacionais com possibilidade de integração nos quadros da empresa.

Requisitos pretendidos:
- Preencher os requisitos do Programa de Estágio Profissional de Nível 5 de Qualificação do IEFP.
- Licenciatura em Gestão, MKT ou Relações internacionais. 
- Experiência profissional em gestão e coordenação de negócios. 
- Experiência em contacto com outros Mercados, nomeadamente com o Mercado Africano será valorizada. 
- Idade compreendida entre os 25 e 35 anos. 
- Domínio das línguas Francesa e Inglesa. 
- Proactivo, com características de líder, pragmático e com raciocínio analítico. 
- Orientação para o Cliente e Resultados. 
- Híbrido no sentido de possuir competências de gestão, pedagogia, estratégicas e comerciais .
- Disponibilidade para deslocações. 
- Residência no Aveiro.
Resposta: CV e Carta de Apresentação para o email luiscruz@grupel.pt, com o Assunto: Resposta a anúncio de Relações Internacionais (m/f) – Distrito de Aveiro.

Nova temporada

Inicia-se hoje a nova temporada do Internacionalizzando

Depois da pequena pausa que anunciei há uns dias, retomarei em força a actividade no blogue, com novas notícias, curiosidades e tudo o que esteja relacionado com o mundo. 

Para os próximos dias, terei que pôr em dia os assuntos internacionais entretanto debatidos: as eleições na Austrália, a campanha no Brasil, os romenos na Europa, o fim da Guerra do Iraque e muitos outros temas aparecerão diariamente no blogue.

Uma boa reentré para todos!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Férias

Caros leitores,

Mais por motivos de trabalho do que propriamente férias, terei que fazer uma interrupção na minha actividade como blogger, pois como terão reparado tenho dado pouca atenção ao Internacionalizzando.

Retomarei a 1 de Setembro com energias renovadas para continuar este projecto.

Umas boas férias para todos!

sábado, 14 de agosto de 2010

Economia europeia

O New York Times noticiou já há alguns dias que a economia da Alemanha já começou a sua recuperação, vendo as suas exportações retomarem o vigor de há alguns anos (para alguns, melhores ainda do que há alguns anos) e o desemprego baixar. São boas notícias também para a restante economia europeia, dado o peso deste país, assim como para Angela Merkel que enfrenta um período difícil de popularidade e que pode ser salva por estes indicadores...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Candidato Presidencial


Conseguirá Wyclef Jean dar ao Haiti a esperança que aquele país parece ter perdido irreversivelmente?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Atentado ou não atentado?

Ficará, pelo menos por enquanto, por esclarecer o que realmente se passou no passado dia 4 no Irão, quando uma coluna de veículos onde seguia Ahmadinejad foi atingida por:
a) uma granada (primeira versão)
b) um petardo (versão oficial)

Estas são as hipóteses possíveis. Já quanto ao autor da façanha que gerou o pânico na comitiva que acompanhava o Presidente iraniano, há outras duas possibilidades:

a) um opositor que queria matar Ahmadinejad (primeira versão)
b) um apoiante que queria manifestar a sua felicidade à passagem de Ahmadinejad (versão oficial)

A dificuldade em apurar a verdade relativamente a este caso é, compreensivelmente, imensa. As primeiras versões contradizem as versão apresentadas mais tarde pelos media ligados ao regime e ficaremos sem saber se foi apenas uma questão de falta de rigor na transmissão da notícia ou se a versão oficial teve que ser modificada a pedido do governo, para não ser publicitado um atentado contra o seu líder, o que também não me espantaria... O que me admirou mais foi o facto de o Presidente não ter referido, no seu discurso, que os israelitas queriam matá-lo, o que faz frequentemente.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O outro

É curiosa a notícia do NYT que relata um conjunto de casos de estudantes americanos que escolhem o Médio Oriente para o seu "junior year". Será uma mera questão de moda? Que, ainda assim, não pode passar despercebida. Ou antes um questionamento aos valores ocidentais junto dos quais cresceram e aprenderam?

Iraque, Afeganistão, Irão, Israel: estão no centro dos acontecimentos mais marcantes das relações internacionais dos últimos anos - pelos mais diversos motivos. Mais ou menos ocidentalizados, mais ou menos muçulmanos, cada um deles incorpora realidades bastantes distintas daquelas que preenchem a experiência de vida de qualquer jovem europeu ou americano. E é essa distância e essa curiosidade pela cultura diferente, pela alteridade, que é exaltada nesta notícia e que me parece muito salutar. É com a abertura e a proximidade que se conhece o outro e que so consegue desenvolver a tolerância necessária para o aceitar e lidar com ele.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pelo Brasil...

"Televisamente", os dois principais candidatos à presidência brasileira estão empatados. Algum nervosismo de Dilma e pouca assertividade de Serra foram as causas deste empate, segundo os media brasileiros. No entanto, para um país com a importância do Brasil na cena internacional, é de lamentar que a audiência do primeiro debate tenha estado nos 5,5%, enquanto que a do jogo de futebol transmitido pela mesma altura quase chegou aos 37%...

As referências a Marina Silva, dos Verdes, e Plínio Arruda, do PSOL, foram muito escassas.

Tudo continua em aberto numas eleições que eu não quero perder! E você também não!

domingo, 8 de agosto de 2010

(Dis)tensão

Houve uma festa na América Latina e a tensão entre a Colômbia e a Venezuela diminuiu. Na tomada de posse do novo presidente colombiano, esteve presente o próprio Ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, em representação de Chávez. Será este um passo para o apaziguamento dos dois vizinhos? Ou estará a Venezuela a tentar criar amizade e lançar o isco a Juan Manuel Santos?

sábado, 7 de agosto de 2010

In Memoriam

6 de Agosto de 1945
8 e um quarto da manhã.
Já premiste o botão
que fez descer 100 milhões de graus centígrados - morte
e erguer da terra um belo clarão
enorme e deslumbrante.
Missão cumprida.
Espera-te um país reconhecido
e mais tarde
os pés no vazio
quando souberes que
em poucos segundos, sob as tuas asas,
desde as ruas e jardins do centro
até aos campos em redor,
homens, mulheres, crianças e animais
foram varridos por um vento
que pulverizou tudo o que encontrou no seu caminho;
que alguns sobreviveram gritando queimados de morte
entre cinzas e cascalho,
que os arrozais perderam a verdura
e a relva ardeu como palha seca.
Número total de mortos: cerca de 70 000.
Um belo clarão...
enorme, sábio, deslumbrante.
A teu lado alguém pergunta:
Meu Deus, que fizemos?...
José Luís Tinoco


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"A obesidade mental"


A Obesidade Mental - Andrew Oitke
por João César das Neves
O prof.  Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações soPublicar mensagemciais em geral.

Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e
conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»

Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»

O problema central está na família e na escola.

«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem
apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»

Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:

«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»

O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. 

«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»

Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.

«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».

As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.

«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Percalço diplomático

As afirmações de Nick Clegg provocaram polémica. O Vice-Primeiro-Ministro inglês não desempenhou correctamente o seu papel, uma vez que estando a representar David Cameron deveria ter ponderado mais as suas palavras ao considerar ilegal a invasão do Iraque, já que nomes pesados do partido conservador também aprovaram a invasão. Tentou corrigir mais tarde dizendo que era a sua posição pessoal, mas isso não evitou um grande deslize no desempenho da sua função. 

A notícia bem explicada no Público, aqui.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mordaça venezuelana


Notícia do Público de 21 de Julho que pode ser lida aqui.

"O Presidente venezuelano Hugo Chávez anunciou que o Estado poderá assumir o controlo do principal canal de televisão ligado à oposição, a Globovisión, o que está a ser considerado um novo ataque à liberdade de expressão. A estação emitiu um comunicado a defender que a sua linha editorial “não se expropria”.

Chávez fez as contas em directo, no programa televisivo Alô Presidente. Explicou que 28,5 por cento das acções da Globovisión estão na mão do banqueiro Nelson Mezerhabe, que vive em Miami, nos EUA, e está a ser investigado na Venezuela por “corrupção”, depois de o Banco Federal, que dirigia, ter falido e sido intervencionado pelo Estado. Outros 20 por cento pertenciam ao fundador do canal, Luis Teófilo Nunez, que morreu em 2007, e agora deverão “passar para o Estado”. Ao todo, são 48,5 por cento das acções Globovisión."


Autoritarismo a quanto obrigas...

domingo, 1 de agosto de 2010

América Latina - tensão entre Venezuela e Colômbia

De volta à América Latina: os ânimos andam exaltados entre a Venezuela e a Colômbia. Esta última acusa Caracas de apoiar as FARC no seu território de onde planeariam os ataques contra si, o que levou à primeira a cortar relações com ela e a decretar o alerta máximo nas fronteiras. É claro que este corte diplomático não pode ser apenas visto à luz deste último acontecimento, mas de uma sequência de eventos que foram azedando as relações entre os dois países, nomeadamente a grande proximidade colombiana dos americanos, que têm bases militares no seu solo, por exemplo. Naturalmente que Chávez tinha esta espinha atravessada na sua garganta e esta foi a última gota. 

A ONU apela à resolução pacífica do diferendo, enquanto que os EUA defenderam que devem levar-se muito a sério estas acusações colombianas e que a Venezuela deve levar a cabo um inquérito. As percepções mútuas dos vários países envolvidos reflectem-se, como seria de esperar, na posição diplomática face ao problema. A queixa da Colômbia foi apresentada no TPI e aguarda-se o desenvolvimento da situação. Milhares de tropas venezuelanas estão pela fronteira, mas parece-me improvável um conflito, se bem que a retórica de Chávez aponta para uma revisão da estratégia em caso de guerra com o vizinho...