sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

China - que brilho? (III)

ECONOMIA: Muitos têm afirmado e vaticinado o fim dos Estados Unidos pela sua enorme dívida em títulos do tesouro em relação à China, que aquilo só pode acabar com o afundanço do primeiro e a ascensão da segunda como a potência do século XXI. Mais uma vez reitero a minha oposição.

Lia outro dia sobre os valores das relações comerciais entre os dois países; eles demonstravam que essas mesmas relações têm vindo a intensificar-se na última década: aumentaram as exportações dos EUA para a China e as da China para os EUA (um aumento de cerca de 94 biliões de dólares em 1999 para 409 biliões em 2008 do total das trocas). Mas mesmo apesar de os EUA terem uma balança comercial deficitária com aquele país, a natureza dos produtos trocados é muito diferente – e fundamental, eu diria.

Na lista dos produtos trocados, podíamos ler: maquinaria eléctrica e equipamento, material de aviação, equipamento médico, ferro, aço e alumínio, sementes de óleo e químicos orgânicos que se deslocavam dos EUA para a China; no sentido contrário vinham também maquinaria eléctrica, brinquedos e jogos, calçado, plásticos, etc. Ora, o valor acrescentado deste tipo de produtos é bastante diferente, pois não podemos comparar esse valor relativo a um avião de plástico chinês com um qualquer componente para um avião real.

Mais, em termos de ferro, aço, alumínio e produtos agrícolas, mostra alguma dependência da China face ao exterior de um produto que, ainda que sem grande valor acrescentado porque primário e não transformado, é muito importante para a sua sociedade – matéria-prima para trabalharem e alimentação.

E em termos de dependência face às exportações, não podemos ignorar o facto de os EUA serem, na realidade, o seu primeiro destino, do qual dependem quase 20% das exportações chinesas. E 20% de 1 428 biliões de dólares anuais em exportações é um enorme volume. Ou seja, por muito que os chineses possam abanar com os títulos do tesouro americano, os americanos também podem abanar com as suas alfândegas, pois fechando as portas às importações chinesas, esta economia iria sentir um efeito devastador. Além disso, temos que levar em conta que o grande hiato existente, em termos comerciais, entre ambos os países também se deve em grande medida às constantes desvalorizações artificiais levadas a cabo pelos chineses e contra as quais, obviamente, Barack Obama tem pressionado os representes sinos, cujos produtos tão baratos se tornam um bem muito competitivo especialmente em épocas de crise.

Em suma, as duas economias estão intrincada e inevitavelmente relacionadas, o que impede que a China pouco mais possa do que fazer algumas ameaças. Mas mesmo assim, os Estados Unidos não correm o risco de lhe mostrar muitos cartões vermelhos, em termo de direitos humanos, por exemplo, porque o preço a pagar também seria elevado, sem prejuízo desta relativa tensão que actualmente se tem sentido entre as duas potências.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

China - que brilho? (II)

IRÃO: Os Estados Unidos perseguem a sua luta contra um Irão nuclear. Depois de muitos meses a aguardar pacientemente uma resposta positiva de Teerão, a “indulgência” para com aquele país parece estar a chegar ao fim e, nesse sentido, a diplomacia americana pressiona toda a comunidade para que imponham mais sanções ao Irão, para que este sinta na pele o preço do seu programa nuclear, num mundo que tenta “desnuclearizar-se”. A Alemanha, também preocupada com a situação dos opositores ao regime de Ahmadinejad também seguiu o mesmo caminho e as suas empresas começam a retirar lentamente daquele país.

Já com a China, a coisa parece mais complicada. Não muito hostil a um regime que tão bem compreende (não fosse tão semelhante ao seu termos de resistência à democracia e às liberdades dos seus cidadãos), a China e o seu lugar no Conselho de Segurança dão algumas preocupações aos EUA, que podem ver as suas medidas sancionatórias proibidas pelos chineses. Também não podemos ignorar o importante facto de que o Irão é o fornecedor de petróleo da China e que a sua delegação na ONU, no máximo, abster-se-á de votar; nunca o fará favoravelmente.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros sino disse preferir aguardar alguns sinais de abertura dos amiguinhos iranianos, o que deixou os americanos à beira do colapso e, como resposta, disseram aos chineses que caso eles bloqueassem o programa de sanções, teriam que enfrentar economic insecurity and diplomatic isolation”, nas palavras de Hillary Clinton.

A própria Rússia, conhecida aliada de Teerão, está disposta a contrariar este país nas suas intenções nucleares. Falta só a China, que está difícil de convencer. Não se importando com Direitos Humanos (dos opositores ao regime que têm sido executados e perseguidos) ou com o Direito Internacional (pelos sucessivos incumprimentos em termos nucleares), mas apenas com o seu fornecedor de petróleo, a China está a enfrentar grandes pressões. Veremos como reage.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

China - que brilho? (I)

A China tem constado da agenda mediática internacional dos últimos dias e por vários motivos.

Já aqui referi por várias vezes a minha descrença relativamente à posição dos chineses enquanto challengers dos EUA na “liderança” da comunidade internacional.

Vou publicar uma série de artigos nesta lógica, a começar já hoje.

Tibete: a China tem reforçado a sua inflexibilidade quanto aos pedidos de autonomia dos tibetanos. Não abdica de qualquer parte de soberania (será a soberania divisível?) naquele espaço que continua a defender como seu. Os tibetanos, pacificamente, vão-se resignando ou manifestando sem grande impacto, depois da carnificina que foram as manifestações sangrentas de há uns tempos. O Presidente dos EUA pretende encontrar-se com Dalai Lama – a China já o avisou que não ficará contente com tal acto e que tal prejudicará as relações entre os dois países. Mais, qualquer país sofrerá consequências se dialogar com aquele que a China considera um perigoso separatista.

Bem, na realidade, isto é tudo menos ilógico; faz parte de um pensamento que o governo de Pequim tem consolidado e é algo de expectável e coerente da sua posição. E quem esperava por alguma abertura daquele país depois dos Jogos Olímpicos (qual acontecimento messiânico que salvaria os 2 biliões de chineses) desengane-se, pois estão tão fechados como até então.

Repare-se que os EUA não consideram o Tibete um país independente, mas sim parte da China – tal como a comunidade internacional o entende assim. Contudo, a sua preocupação, manifestada através do encontro do qual Obama não abdicará, prende-se com os Direitos Humanos e o respeito por aquela parte da população. A intenção é a promoção do diálogo e da solução pacífica e conforme os Direitos Humanos e não o reconhecimento da autonomia da região.

A situação é delicada; os EUA, tal como a comunidade internacional, não pedem mais do que um tratamento justo dos tibetanos; a China defende o que é seu, sempre com aquele medo tão característico (não será razoável?) de que um aumento de autonomia hoje signifique o desmembramento amanhã.

Assim, a China, mais do que uma economia forte e crescente (até quando?), é um país que ameaça desagregar-se (lembremo-nos de Xinjang) sem um Estado “umbrella” que possa tudo unificar através da força.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

North Korean Arms Shipment Said to Be for Iran


É com estes amiguinhos (o Irão) que países como a Coreia do Norte conseguem ir contornando, apesar do fazerem com muitíssima dificuldade, as sanções internacionais. O Irão precisa das armas e a Coreia do Norte de as vender; ninguém vende ao Irão (teoricamente) e ninguém compra à Coreia, logo esta é uma solução prática e viável. Assim vai-se armando o Irão e vai-se enriquecendo a Coreia. Falamos de 35 toneladas de vários tipos de armamento e desta frágil (muito frágil) segurança mundial. Como poderá o mundo solucionar estas questões? Estará o mundo irremediavelmente condenado a tapar um buraco e logo outro ser aberto no seu casco? 

domingo, 31 de janeiro de 2010

Não compreendo

A situação nas Honduras preocupou-nos durante algum tempo; falámos, discutimos e reflectimos. Na agenda mediática internacional por bastante tempo, a crise hondurenha acabou por ir desaparecendo dos meios de comunicação até aparecerem apenas casos pontuais de um maior avanço ou recuo nas negociações, afinal como acontece com quase tudo.

O que me deixa intrigado (e admito por falta de informação e dedicação ao tema) é que reparem como tudo terminou: Zelaya foi para a República Dominicana, deixou de lutar pelo lugar de Pesidente; Micheletti reconheceu a vitória de Profírio Lobo e ambos desapareceram da cena. A novidade foi a tomada de posse do recém-eleito, mas, e consequências? Como pode tudo terminar assim, como se fossem todos amiguinhos? Afinal a razão estava de que lada? Porque não foi ninguém punido? Ou os autores de um golpe de Estado ou um Presidente que abusou do seu poder?

Mais uma vez, a culpa morreu solteira. E, com ela, mais um pedaço da dignidade da democracia latino-americana...

Armas

E, aos bocadinhos, a Rússia vai armando o mundo todo...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Coreias II


A tensão que eu dizia existir entre as duas Coreias por causa daquela troca de ameças subiu mais um bocadinho. Chegaram a trocar tiros no mar, apesar de não haver danos ou estragos. Dizem que a do Norte começou e eles responderam, afinal eram exercícios, depois fizeram queixas à comunidade internacional... Vamos ver no que dá...

(Prometo que volto com mais tempo para o blogue em breve...)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Liberdades pelo mundo...


1. Na Birmânia, vão libertar Suu Kyi, a lutadora pela democracia naquele país, mas:

a) só em Novembro;
b) ou seja, depois das eleições que a Junta Militar antecipou;
c) e mesmo assim, vamos lá ver...

2. Na Venezuela, como já disse, há canais por cabo para os venezuelanos não verem só os públicos, mas:

a) todos têm que transmitir os discursos de Hugo Chávez;
b) um recusou-se e foi fechado.

3. Um decreto-lei de Berlusconi vai proibir vídeos com conteúdo sexual ou violento na Net, mas:

a) quem quiser fazer um qualquer upload, tem que pagar uma licença ao Ministério das Comunicações

4. Hossein Karroubi é um dos principais opositores do regime de Ahmadinejad, mas:

a) já reconheceu o governo do Presidente;
b) continua a questionar a validade das eleições;
c) afinal em que ficamos? que o senhor teve que reconhecer...

Assim vão as liberdades pelo mundo. (Hoje parecia membro da Human Rights Watch!)

Coreias


A península coreana tem os seus quês, de vez em quando. Desde que foi dividida, a tensão, maior ou menor, tem estado sempre presente e preocupa o mundo. E preocupa-me a mim.

Desta vez, o que se passa é que a Coreia do Sul sugeriu poder lançar uma guerra preventiva contra a sua vizinha caso percebesse que esta planeava atacá-la com armamento nuclear. Ora, obviamente, para a Coreia do Norte, isto foi uma declaração aberta de guerra e que tal afirmação pode dar início a um conflito a qualquer momento. Bem, sabemos (acho eu) que é difícil ser assim a qualquer momento, mas que a coisa não está bonita, não está.

Mas esteve, e recentemente. Desde a visita do ex-Presidente Clinton que a tensão na fronteira tinha diminuido e as viagens tinham sido facilitadas, num ambiente de relativa reconciliação. Agora este episóido veio reacender os ódios e volta tudo à estaca zero, logo numa altura em que o regime de  Kim Jong-Il mostrava algum interesse em cooperar com a comunidade internacional...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Está feito!

Não transmitem o Huguinho, não transmitem mais nada!


Japão & China

Parece improvável que a associação destes dois países num mesmo título possa trazer uma boa notícia. Mas traz.

Bem, pelo menos tem intenção de demonstrar que, diplomaticamente, o Japão e a China têm vindo a aproximar-se e, como diz a notícia do New York Times, os Estados Unidos estão a perder terreno para os chineses. Um dos exemplos usados para clarificar esta ideia é o das visitas de representantes americanos e chineses após as eleições históricas no Japão. O primeiro forçou tanto a possibilidade de bases militares dos EUA naquele território que os media o apelidaram de "bully"; já o chineses foram muito mais diplomáticos, o Presidente escutou pacientemente várias individualidades japoneses e o gelo histórico começou a derreter-se.

Os Estados Unidos de Obama, diplomaticamente, têm tido um percurso bastante razoável, mas a insistência no hard power com o Japão não se compreende e prejudicou as suas relações com o histórico aliado... Já para não referir que os japoneses começam a preferir as relações com os emergentes asiáticos, no sentido de reforçar a região, numa altura em que os EUA já não têm o "brilho" que tinham. Se fosse a Clinton, apostava nesta relação - um parceiro na Ásia Oriental pode vir a ser muito útil, com ou sem base lá.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Imigração é necessidade e não fardo

"A imigração é uma necessidade de médio e longo prazo, embora provoque emoções a curto prazo."


Esta foi uma das frases de Felipe González numa conferência sobre pobreza e exclusão social, tema trazido à discussão pela presidência espanhola da União Europeia.

"O problema não é a população que temos. O problema é: com a população que temos, como criar uma economia sustentável?"

González apontou ainda uma série de sugestões para combater a situação demográfica preocupante da Europa, nomeadamente a utilização da mão-de-obra imigrante e inclusão de mais mulheres no mercado de trabalho, com especial atenção para as jovens mulheres, normalmente discriminadas porque em idade de procriação, no sentido de promover o seu bem-estar económico e facilitar a natalidade.

Esta posição fez-se ouvir nas vésperas da discussão da Estratégia 2020, que substituirá a não muito bem sucedida Estratégia de Lisboa, e é um sinal positivo, desde que a visão veiculada por González e outras preocupações sociais estejam incluídas no novo plano, com medidas concretas e viáveis.

(A notícia pode ser lida aqui)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Será?


Aceitará mesmo?

The US-China relationship is strong enough to withstand disputes like this

Será assim tão forte?

A vida é feita de surpresas e de desilusões. Desta vez, não estou muito optimista: não espero um Hamas a reconhecer Israel assim tão cedo e a mim parece-me é que a relação dos EUA e da China é tão fraca que não aguentaria uma verdadeira luta pelos direitos humanos...

Bem, eu avisei (vi isto depois de escrever o texto):

China: Discurso de Clinton sobre Internet prejudica relações

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pela Ucrânia...


A candidata Iulia Timochenko ofereceu o cargo de primeiro-ministro a um dos seus rivais na corrida às presidenciais, caso este a apoiasse durante a segunda volta daquelas eleições. É o tudo por tudo para assegurar a vitória e evitar que o país regresse a uma posição pró-russa, deitando por terra a revolução laranja. O senhor, pelos vistos, recusou a oferta e os dois candidatos continuam a tentar arranjar apoios.

O importante é que o país retome o rumo e rapidamente, porque a crise e o descrédito da classe política poderão vir a ter consequências graves para a Ucrânia.

Corrupção II

Por uma questão ética, faço referência aqui também à reacção do governo afegão ao tal relatório que alertava para o estado da corrupção naquele país.

A notícia é do Público, mais uma vez, e relata o descontentamento do Ministro das Finanças que acusava o relatório de estar "cheio de erros" e de "alguém" estar a fazer declarações sobre esses dados com fins políticos.

Quem é esse alguém, eu também não sei; mas parece-me que a ONU tem mais razão do que o sr. Ministro, porque é muito conhecido o problema da corrupção e a sua extensão no Afeganistão.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Corrupção

Um quarto do PIB português é muito dinheiro. Faz muita falta ao orçamento de Estado.

Imaginem agora o que é os portugueses gastarem por ano o equivalente a um quarto do seu PIB em corrupção. Querem construir uma casa, querem algum serviço do Estado, querem segurança, querem uma escola.

Corromper e ser corrompido é a lógica em vigor no Afeganistão, como um "cancro", afirma a notícia do Público. 2 500 milhões de dólares são gastos por ano no Afeganistão em SUBORNOS. Como é possível um país assim funcionar? Ter instituições credíveis e sentir-se um país? Onde metade da população já pagou subornos a pelo menos um funcionário público? 160 dólares é o valor médio do suborno. E o rendimento anular per capita é 425 dólares.

Não dá, não funciona. Pelo menos nos padrões pelos quais nos guiamos. É muito dinheiro deitado ao lixo, por muito que me digam que ele continua a girar na economia. Os afegãos não conseguirão a estabilidade tão cedo. E ainda para mais esta notícia rebenta nas vésperas da conferência dos doadores em Londres. Como é possível alguém arriscar-se a investir num país assim? As mudanças no Afeganistão precisam de ser de fundo, estruturais e não podem ser impostas pelo exterior; podem ter a ajuda do resto do mundo, mas a iniciativa e a intenção tem que ser nativa e sentida por quem lá está. Nunca alguém seguirá uma pessoa que considera um ocupante ilegítimo da sua terra. É natural que 54% da população ache que as organizações internacionais no seu país estão lá para enriquecer - principalmente se ponderarmos que os polícias, os juízes e os políticos são os que mais lucram com este "cancro que se mestatizou", como refere António Maria Costa.

Mudanças estruturais urgem num país que está a colapsar-se, mesmo apesar de alguns resultados que McChrystal tem afirmado começarem a surgir. Temos que aguardar consequências da nova (e inteligente, eu diria) estratégia de Obama para o país. No entanto, não podemos esquecer-nos das palavras do Presidente dos EUA: não estamos no Afeganistão para construir um país novo e deixá-lo uma democracia funcional; estamos lá para derrotar terroristas islâmicos perigosos e criar as condições mínimas para que estes não regressem ao poder. Compreendo a posição de Barack Obama, mas inquieto-me com os eventuais resultados a médio prazo. Aquela zona do mundo dá-me dores de cabeça.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ao Parlamento III

Bom, a coisa começa a ficar complicada para Barroso. Já quase parece Hamid Karzai que não consegue convencer o Parlamento a aceitar as suas sugestões para ministros.

A candidata a comissária da ajuda humanitária acabou por se demitir sem ter ainda sequer sido aprovada pelo Paralamento. Ao que parece, a senhora não se conformou com as críticas daquele órgãoe e nem sequer se vai sujeitar à aprovação. Eu fazia o mesmo. Só não percebo é o que se está a passar por Bruxelas. Mais uma vez: mesquinhez do Parlamento ou escolha a dedo de Durão Barroso?

Avatar & Google

A Google está com problemas na China; o e-mail de alguns activistas chineses foi violado por entidades oficiais chinesas; agora Avatar não será mostrado nos cinemas chineses. Porquê?


China e o seu estandarte da liberdade...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Duas presidenciais

No Chile, venceu o conservador e multimilionário, Sebastián Piñera, na segunda volta das presidenciais. Pela primeira vez desde Pinochet, a direita recupera o poder num dos mais estáveis países da América do Sul.

Na Ucrânia, apesar de ser ainda muito cedo para apurar resultados, a vitória do candidato pró-Rússia, Victor Ianukovich, não foi suficiente para evitar uma segunda volta contra a candidata pró-Ocidente, "musa" da Revolução Laranja, como lhe chama o Público, Iulia Timochenko. Os resultados foram surpreendentes, uma vez que não se previa segunda volta nestas presidenciais, dando as previsões vitória absoluta a Ianukovich.

Cinco anos depois da Revolução Laranja, o que se terá passado dentro da Ucrânia para, aparentemente, escolher o opositor desses princípios? Terá o mundo ocidental onde a Ucrânia parecia começar a integrar-se desapontado os ucranianos? Porque terá o Chile virado também à direita, se a esquerda tinha permitido estabilidade?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Segunda rejeição

O Afeganistão tem sido, como já referi, objecto da minha investigação das últimas semanas. Acompanho, por isso, com algum interesse especial os acontecimentos neste país.

Ontem, uma notícia do Público dava conta que o Parlamento afegão tinha rejeitado novamente as esolhas ministeriais de Hamid Karzai. Pela segunda vez, uma nega. Só 7 dos 17 ministros foram aprovados, o que obriga o Presidente a uma nova esolha para aqueles cargos - pelo menos os dos Negócios Estrangeiros, da Economia e da Justiça, pastas cruciais para um país como o Afeganistão, já estão assegurados. Três mulheres faziam parte da nova lista, sem repetições do chumbo anterior, mas só uma foi aprovada.

Esta situação é particularmente sensível, uma vez que a 28 de Janeiro vai decorrer uma conferência em Londres sobre os apoios (doações) ao Afeganistão e era aconselhável que um governo credível (aqui está o problema...) estivesse já no poder para garantir algum sucesso do encontro. Estas ajudas têm sido imprescindíveis para o país, que se encontra à beira do colapso, muito embora tenha vindo a melhorar a sua situação nos último meses. Mesmo em termos militares, o General McChrystal veio já afirmar que houve bastantes progressos desde a aplicação da nova estratégia de Obama. Muito lentamente, pode ser que se consiga um milagre para o Afeganistão...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Ao Parlamento II


Desta vez, é próprio Durão Barroso que vem defender a comissára responsável pela ajuda humanitária perante o Parlamento Europeu, que tinha dúvidas sobre a veracidade da sua declaração financeira e sobre a sua capacidade para liderar esta pasta.

Eu não sei o que se passa por Bruxelas, mas ou o Parlamento é muito mesquinho ou Durão Barroso escolheu-as a dedo...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ao Parlamento


Os comissários propostos por Durão Barroso para constituirem a sua equipa passaram/terão que passar pela análise do Parlamento Europeu, a quem compete a  aprovação dessa mesma equipa.

A notícia do Público dá conta que o comissário do ambiente até foi aplaudido durante as três horas de entrevista, o que denota uma grande empatia daquele órgão com o eslovaco que apresentou medidas concretas e uma visão clara para o papel da União relativamente a esta área que tem estado na ordem do dia.

No entanto, convém lembrar que há dias o Parlamento não foi tão condescendente com outra futura comissária - a baronesa Catherin Ashton. Devo começar por dizer que o título de baronesa em todas as notícias que leio sobre a senhora irrita-me solenemente e faz-me duvidar se estou realmente a ler notícias sobre a União Europeia ou sobre a Corte de Luís XIV de França.

Mas voltando ao Parlamento, a senhora não foi assim tão apreciada; os eurodeputados foram bastante críticos, acusando-a de não ter uma visão clara e estratégica para temas centrais da política externa, por ser demasiado vaga nas suas respostas e por se opôr frontalmente à ideia de um comando único de uma tropa europeia, assim com uns contornos dos quais já não me recordo bem. Ora aqui está: o seu sangue britânico trai-a; denunciou uma das suas principais fragilidades, que é, além da sua inexperiência internacional (que faz com que seguia demasiado o Foreign Office), as esquisitices típicas dos ingleses, num posto importantíssimo e que se antevia que pudesse vir a fazer sombra a Durão Barroso. Está visto que não faz nem vai fazer e que a política externa europeia continuará a ser tema para muitos debates académicos, porque continuará a não existir...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E o paraíso virou inferno

Tudo virado para as Caraíbas, mas pelos piores motivos. E como nem sempre a escola realista tem razão, lá está a ajuda internacional a cooperar para recuperar este belo local de férias, ainda que com problemas gravíssimos por resolver...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Obama sem popularidade e chineses sem noivas


Obama atingiu o valor mínimo da sua popularidade: 41%. Devo apenas dizer que, em termos de política externa, e segundo uma investigação que realizei recentemente, a popularidade de Obama decresceu durante o ano passado. Contudo, esse decréscimo não foi assim tão linear e notou-se alguma recuperação, essencialmente a partir do discurso do Presidente de 1 de Dezembro, onde anunciava o reforço militar para o Afeganistão. Em termos gerais, no entanto, parece que os americanos estão a ficar descontentes. A opinião pública nos EUA é muito complexa...


Do outro lado do mundo, na China, surgem preocupações com os milhões de homens chineses que, daqui a alguns anos, não terão mulheres para casar. Esta notícia, que pode parecer quase um faits divers, é de extrema importância para as relações internacionais. Não podemos esquecer-nos que a China assenta muito da sua influência mundial em termos demográficos e esta revelação, lógica no seguimento das políticas adoptadas pelo país, traz uma reflexão necessária e mais crítica relativamente ao papel do Reino do Meio no futuro.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

E mais um muro no mundo

Há alguns meses, celebrávamos a queda do Muro de Berlim e eu lembrava que muitos muros continuavam a existir no mundo.

Uma notícia do jornal Público dá conta de um novo muro para este mundo, onde a globalização supostamente eliminaria as fronteiras e as limitações da mobilidade de todos. Com o argumento dos imigrantes ilegais que chegam de África, os isrealitas vão gastar 16,7 mil milhões de euros na construção de um muro na fronteira com o Egipto. Israel diz preferir receber imigrantes judaicos e que tem que pôr um travão ao fluxo da imigração vinda de África.

A mim, esta medida mete confusão e só me faz lembrar um país de birras, com as costas protegidas pelos eternos aliados americanos e que vão criando, assim como quem não quer a coisa, alguns desequilíbrios na região. Mesmo que digam que é por causa das armas, qualquer coisa não bate certo com este muro...

Quando procurava uma imagem para pôr no post, encontrei este blogue, que denunciava um outro muro, desta feita construído pelos egípcios na Faixa de Gaza. Vamos nós perceber esta gente...


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Eleições na Croácia

A Croácia é o próximo país a aderir à União Europeia. Não estou certo quanto à data prevista, mas penso que não passará de 2012 - com uma grande probabilidade de ser antes.

Especialmente agora que foi eleito como presidente croata um europeísta, Ivo Josipovic, o processo não deverá sofrer muitos atrasos.

Fica aqui apenas a reflexão sobre a importância do processo de integração europeia para a consolidação democrática de países com pouca tradição dessa natureza, como é caso flagrante os dos Balcãs, sendo que a Croácia é o que está mais à frente na corrida para a entrada, mas seguida por outras, como a Bósnia e Herzegovina e a Sérvia, por exemplo. O Kosvo também está nessa lista, com um mais longo percurso a correr e com questões muito delicadas que este novo país ainda levanta, nomeadamente o facto de não ser reconhecido por todos os Estados-Membros, nomeadamente a Espanha, como se sabe.

A Croácia tem, sucessivamente, atingido os objectivos para a entrada na UE, com um belíssimo desempenho das suas instituições e cada vez mais se aproxima uma UE a 28. A sua entrada é ainda fundamental para toda a região balcânica, uma vez que a política de "pau e cenoura" aplicada naquela zona do globo, se falhar, pode criar um caos com o qual a Europa não me parece que consiga lidar facilmente...

Outra questão que deixo para reflexão é a das fronteiras da União - até quando ou até onde um alargamento e até que ponto a Turquia deve ou não fazer parte do grupo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Várias numa

Várias referências rápidas ao que acontece no mundo (enquanto eu faço trabalhos sobre o mundo):

1. Um general isrealita diz que os iranianos estão a um muito longo caminho da arma nuclear. Por serem inimigos mortais dos isrealitas, até que fico mais descansado, mas não me arriscaria a enfatizar tanto essa distância, porque rapidamente os iranianos saltam etapas. O Paquistão é mesmo ali quase ao lado, a Rússia mais a norte... 7 anos é o prazo que este especialista dá. A esperança é que o regime não aguente tanto tempo; se bem que tudo tem andado mais calmo por lá - pelo menos que se saiba.

2. Obama era a favor da reabilitação de terroristas e da sua integração na sociedade (muito na linha de alguém que recebeu um prémio Nobel); no entanto, os maus resultados que isso está a originar, em termos de falta de eficácia, pode pôr em causa o encerramento de Guantánamo. Obama diz que não e que vai fechar. Pode ser que mais depressa do que o Irão aprende a fazer uma arma.

3. Martinica e Guiana vão fazer referendos sobre a sua intenção de ter mais autonomia face à "metrópole" francesa, a quem continuam fortemente ligados. Pelo menos têm essa possibilidade, embora se suspeite que vão negá-la. É sinal que estão bem. Ai se João Alberto Jardim vê...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Sudão em perigo

Não é, por razões que não consigo especificar, a área que mais interesse em termos profissionais me interessa. No entanto, para perceber certas dinâmicas, não podemos evitar olhar para aquele magnífico continente que é África.



E a notícia que vem de lá é a preocupação de uma série de organizações com o futuro do Sudão na eventualidade do iminente colapso do Acordo Abrangente de Paz.

O meu conhecimento sobre a história do Sudão não abunda, mas sei o suficiente para perceber que a situação lá pode gerar um caos em toda a África, atendendo ao tamanho do país e à sua influência. É um caso nítido de um país e duas nações; a parte mais rica e a parte mais pobre; a parte católica e a muçulmana; ódios históricos a que o imperialismo não ligou quando traçou fronteiras geometricamente perfeitas. É urgente resolverem questões como estas. A notícia do Público falava em 1,5 milhões de mortos em 22 anos de guerra civil. É mais do que um qualquer povo pode suportar.

O mundo deve estar atento e promover a resolução pacífica deste diferendo. Eu digo promover e não resolver. Os nativos compreendem as dificuldades que enfrentam e só eles podem aceitar algo mais sustentado; os outros podem apenas ajudar, sugerir e mediar; não criar outra Conferência de Berlim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

In memoriam

Porque as Relações Internacionais, a história e a vida de cada um de nós não seria a mesma tivessem os destinos do mundo ditado outras regras, convém relembrar os momentos que achamos mais importantes.

As bombas atómicas foram dois desses momentos que, pelos piores motivos, desencadearam um período muito marcante da nossa história.

Ontem morreu Tsutomu Yamaguchi, um dos poucos que conseguiu sobreviver à explosão em Hiroshima, onde trabalhava. Depois do acidente, foi depressa para a sua cidade, Nagasaki, e outra bomba lhe caiu aos pés. Para ele, foi milagre.

Para mim, um óptima oportunidade para lembrar aquilo que não queremos para o mundo.

Uma notícia do Times Online.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um mau dia para as ONGIs II

Eu bem vaticinei que este seria uma dia mau para as ONGIs...

Agora é a notícia que as forças do Iémen capturaram o chefe local da al-Qaeda. Para nós, é uma óptima notícia, mas para a organização nem tanto...

Um mau dia para as ONGIs



Em guerra civil desde 1991, a Somália é um dos típicos casos de Estado falhado (apesar de haver uma certa polémica quanto ao uso deste termo...). Na verdade, este caótico país da África Orientaltem vindo a sofrer uma crescente influência por parte de organizações terroristas, como é o caso da Shabaab, que é considerada uma extensão da al-Qaeda naquele país. Recordemos notícias como a do atentado num hotel no centro de Mogadíscio que matou ministros somali, outras sobre a força fundamentalista e o seu crescimento e uma mais recente, consequência lógica desta situação, que é a suspensão do Programa Alimentar Mundial para aquele país, onde apoiava quase 2 milhões de pessoas.

Esta organização queixa-se que o governo não está disposto a garantir a segurança necessária aos seus funcionários para que desenvolvam lá a sua missão e estarão brevemente a bater em retirada.

E parece que este foi um dia mau para as organizações não-governamentais internacionais, pois no Irão, Ahmadinejad proibiu o contacto dos seus cidadãos com cerca de 60 entidades dessa natureza: Human Rights Watch ou BBC são duas das proibições, justificadas com o alegado envolvimento daquelas nas manifestações anti-regime que têm acontecido nos últimos meses. Para mim, um sinal da fraqueza do sistema iraniano, numa manifestação clara de incapacidade em lidar com a revolta popular e a pressão internacional.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

20 anos depois...

20 anos depois, vão realizar-se eleições na Birmânia. A notícia também é boa. Mas o último sufrágio deu a vitória à ainda detida Suu Kyi e eu não me lembro da senhora estar no governo; não se sabe a data nem os moldes. Eu sei é o resultado...

Menos certo é o resultado da política de regionalização que Mohammed VI vai realizar em Marrocos, num dos mais centralizados países do mundo, segundo o Público. O estatuto do Sahara Ocidental continua muito obscuro para mim (peço desculpa pela falha), mas dizia-se na notícia que ia dar a esta região uma maior autonomia...

Eu gosto disto porque nunca se sabe qual vai ser o resultado. Gosto sempre de surpresas, principalmente se forem boas.

SIDA e EUA

É uma boa notícia. A concretização na prática de algo anunciado em Novembro do ano passado. O fim de uma restrição sem nexo. Os EUA estão de parabéns por deixarem de pertencer a tão vergonhoso grupo.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Uma Ásia preocupante

Podemos esforçar-nos por ser optimistas relativamente a vários assuntos internacionais. Contudo, dificilmente alguém conseguirá evitar algum desalento se tem vindo a ler as notícias dos últimos dias sobre a Ásia e o terrorismo islâmico.

Como certamente já terão percebido, esta é uma das minhas áreas de interesse pessoal e à qual tenho dedicado algum do meu trabalho. Mas além dessa preferência, a gravidade da situação começa a implicar um atenção redobrada para a questão. Quer seja aqui, aqui, aqui, aqui ou mesmo ainda aqui, não faltam notícias sobre as evoluções da seriedade da ameça fundamentalista islâmica e da forma como ela se tem vindo a propagar.

Ora temos um Gordon Brown que vai acolher uma cimeira sobre a questão do Iémen para ajudar este país a expulsar a al-Qaeda do seu território, ora a ONU começa a reduzir o seu pessoal no Paquistão, porque a situação está a tornar-se insustentável em termos de segurança; ora o próprio Presidente Obama declara o Iémen como outro ponto nevrálgico daquela mesma organização, ao mesmo tempo que admite que a tentativa de atentado ao avião para Detroit foi perpetrada pela al-Qaeda; ora o correspondente do Times diz que antigos prisioneiros de Guantanamo voaram para o Iémen e de lá estas novas chefias deste grupo extremista têm causado terror.


Tudo dados que devem entrar na análise; tudo dados que devem alertar a opinião pública, para que esta reflicta sobre as suas posições e se pronuncie com alguma propriedade, tendo uma visão estratégica de futuro e não esquecendo que no mundo actual, o que pode parecer uma zona remota do planeta, pode estar bem mais próximo do que se pensa.

domingo, 3 de janeiro de 2010

E agora, Karzai?

O Parlamento afegão rejeitou dois terços dos ministros propostos por Hamid Karzai. O governo enfrenta cada vez mais problemas com a sua legitimidade. E agora, Karzai?

Um mártir

Mousavi, líder da oposição iraniana, declarou há dias que estava disposto a ser um mártir pela recondução da política do Irão. Opositor do regime de Ahmadinejad, que acusa de fraudulento, Mousavi, que alguns dizem desaparecido, diz que o seu sangue não é mais vermelho que o daqueles que já morreram por esta causa, nomeadamente um dos seus sobrinhos, que foi morto pelas forças de segurança durante uma manifestação.

A situação no Irão está cada vez mais tensa e preocupante; instabilidade naquela zona do globo é comum, mas Irão, Iraque, Afeganistão, Paquistão e Iémen parece-me mais do que a Ásia pode aguentar. E muitos prevêem uma nova revolução iraniana, desconhecendo os moldes do eventual novo status quo.

Sinceramente, acho que Mousavi não vai ser morto, pelo menos por forças oficiais, uma vez que a morte de um líder que começa a tornar-se bastante carismático e a ideia de mártir e de sofredor por uma causa, como a História tão bem mostra, pode inflamar a população e dar ainda mais ânimo a revoltas que o regime poderá não conseguir conter tanto como gostaria.

E, se observarmos bem, mesmo sem a presença dos media internacionais no país, temos tido acesso a imensas notícias sobre o desenrolar da situação no Irão; é, por isso, impossível controlar tudo e todos, como Ahmadinejad tenta fazer. Lia algures no outro dia que a dar-se uma revolução, esta seria a Revolução do YouTube. É assim mesmo a globalização: permite aos grupos islâmicos terroristas que se transnacionalizem, dando-lhes publicidade, e limita, ao mesmo tempo, as pretensões de uma República Islâmica de se fechar e esconder do mundo o que se passa no seu interior para se proteger.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Começar bem o ano

Podia começar 2010 com notícias sobre o terrorismo, atentados, mortos e complexos problemas nas Relações Internacionais. Mas numa de optimismo e de idealismo, deicidi escrever este primeiro post do ano com uma notícia menos dramática e mais positiva.

Trata-se das relações entre a Coreia do Norte e os EUA. Não muito saudáveis há ja algumas décadas e com momentos de alguma tensão, como por exemplo aquando dos testes nucleares e dos rumores de sucessão de Kim Jong-Il, o que é facto é que o regime de Pyongyang está disposto a começar bem o ano e a dialogar com os Estados Unidos.

Armamento nuclear, boicotes, tensão diplomática e alianças têm marcado este relacionamento; mas é necessário ser-se muito cuidadoso quanto à esperança no futuro e na consistência de uma eventual aproximação entre ambos os países.


Uma Coreia do Norte internacionalmente isolada que, depois de uma carta pessoal de Obama a Kim Jong-Il, está disposta a relançar as negociações sobre o seu programa nuclear. Penso que ela irá ceder em vários aspectos, atendendo às dificuldades económicas que enfrenta e às consequências perigosíssimas do seu fechamento para o regime ditatorial.

Conseguirá a diplomacia americana um novo "reset", mas desta vez com a difícil Coreia do Norte?

Bom 2010!!

Por um problemazinho de saúde, não pude deixar aqui os meus votos a tempo da entrada neste novo ano.

Tentanto redimir-me, desejo a todos os leitores e seguidores do Internacionalizzando um óptimo 2010, cheio de sucessos profissionais e pessoais.

Bom 2010!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Iémen e o perigo das cuecas

Parece ser uma piada, mas este título quer apenas chamar atenção para um acontecimento importantíssimo dos últimos dias (para além da questão iraniana, à qual me dedicarei amanhã).

Um atentado falhado não causa assim um tão grande impacto. Exceptuando, talvez, nos media americanos, que devem andar por esta hora a fazer um alarido com as questões de segurança no seu país, ao ponto de divulgarem já a imagem das cuecas do senhor que ia provocar a explosão no avião para Detroit.

Mas há inúmeras questões de fundo que se prendem com isto e que eu deixo aqui para reflexão.

1. Estes atentados vêm dar razão a Obama e ao seu reforço na luta contra a Al-Qaeda (organização que reivindicou o atentado falhado);

2. A Al-Qaeda não está, nem de longe nem de perto, imobilizada ou amputada; continua activa e sem problemas em causar mortes e chamar as atenções para a sua causa jihadista.

3. O fundamentalismo islâmico está a difundir-se e o Iémen é um dos locais mais propícios a essa disseminação, enquanto país pobre e com porblemas estruturais que é. A presença de jihadistas no Iémen é já muito forte e planeiam-se ataques a partir de lá.

4. Poderão os EUA vir a abrir uma terceira frente de guerra? Terminam de vez com o Iraque (já em vias de extinção enquanto palco de guerra activo) e viram-se para o Afeganistão e o Iémen? E quando deslocarem os fundamentalistas o seu ninho deste país da península arábica para outro como a Somália? Irão os EUA defender-se atacando também no Corno de África?

5. Qual o papel dos restantes países nesta história toda? Destruir um avião que chega aos EUA, mas que partiu da Europa não significa um perigo para todos? Uma necessidade de cooperação na resolução deste problema? Não se aperceberá a opinião pública europeia destas ameaças também à sua segurança?

Muitas outras questões poderia levantar aqui, como a da segurança nos aeroportos, mas limito-me a estas. Um atentado falhado no dia de Natal, a concretizar-se, iria espalhar o medo pelo mundo ocidental; o seu falhanço deveria alertar para a mesma situação, porque com ou sem a morte daqueles passageiros, a segurança do mundo continua frágil...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Uma nova Revolução Iraniana?

Em 1973, o Irão viveu uma revolução que pôs fim a um período de relativa laicidade e o substituiu por um regime islâmico.

Há uns meses para cá, mais precisamente depois da polémica reeleição de Ahmadinejad, os motins têm-se multiplicado nas ruas, assim como as mortes, as detenções e os ferimentos de todos aqueles que continuam, insistentemente, a opor-se ao regime que dizem fraudulento.

Tão insistentemente e sempre com os mesmos resultados, que os leitores deixaram de prestar atenção a tais incidentes. No entanto, os motins regressaram, mais uma vez, com força; um sobrinho do líder da oposição, Mousavi, foi morto durante os confrontos com as forças de segurança; outros tantos tiveram o mesmo destino; o próprio Mousavi foi demitido da Academia de Ciências iraniana; os jornalistas estrangeiros foram expulsos do Irão, mas chegam às redacções ocidentais imagens e filmes que os próprios manifestantes enviam para denunciar o que se vive no país. Ainda mais sintomática é a recusa de alguns polícias a atirarem contra os que participam nestes motins.

A questão que eu queria trazer aqui (e que é, de resto, já levantada por vários especialistas) é se não se estará a aproximar uma nova revolução iraniana? Até que ponto é que todos estes sinais não começam a ser demasiado evidentes e persistentes para que se pense que tudo ficará igual? Conseguirá o regime islâmico de Ahmadinejad e de Khomeini suprimir todo este descontentamento? Estaremos nós a começar a viver uma mudança brutal na comunidade internacional que resultaria da queda de Ahmadinejad?

Vou acompanhar com muita atenção os próximos dias. A semente começa a brotar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Segurança internacional

A batalha que a coligação liderada pelos EUA no Afeganistão está a travar é, fundamentalmente, contra os taliban e a sua protegida al-Qaeda, a par com outras organizações extremistas islâmicas menores.

O que está realmente em causa nesta luta, para além de interesses subsidiários também menores, é a segurança internacional. Isto porque se os Taliban (grupo inicialmente formado por estudantes islâmicos que queriam governar no Afeganistão) têm uma tendência natural de circunscrição ao espaço afegão, a dimensão da al-Qaeda é essencialmente transnacional. E isto causa graves e sérios e preocupantes problemas a toda a comunidade internacional.

Enquanto organização moderna que é, a al-Qaeda funciona anonimamente em dezenas de países e espalha-se como perfeitas metástases de um cancro que é o fundamentalismo seja ele de que religião for.

Dois sinais foram visíveis nos últimos dias:

O primeiro, a tentativa de um nigeriano de fazer explodir um engenho num avião com destino aos Estados Unidos. É África como um dos principais acolhedores de visões extermistas de alguém que contraria e combate os ocidentais. Isto porque o autor da tentativa de crime, que resultou apenas em queimaduras suas, era filho de um banqueiro nigeriano e teria, com algumas suspeitas do pai nesse sentido, ligações àquela organização islâmica (ou seria, por enquanto, um aspirante). Não deflagrou, mas podia ter deflagrado; não matou, mas podia ter causado a morte a umas dezenas de pessoas.

O segundo é a notícia de que a al-Qaeda estará a planear ataques a partir da sua base... no Iémen. Pois, já não é só no Afeganistão e no Paquistão onde ela está mais activa, tendo-se estendido para um dos países árabes mais pobres, onde veicula os seus valores e ideologias anti-ocidentais e de violência, cada vez mais activamente.

Estes acontecimentos exigem uma reflexão profunda sobre as nossas concepções de guerra e de intervenção, especialmente, claro está, no caso do Afeganistão e do Paquistão e a necessidade de compreensão do conceito mais alargado de segurança, para lá daquele de curto-prazo e de imediato. Não é uma guerra ao terror, não é o eixo do mal; é, simplesmente, conter um dos actuais grupos mais perigosos porque eficazes, influentes, extremistas e violentes, que têm capacidade para pôr em causa a segurança internacional.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Liu Xiaobo



Há uns tempos, escrevi um post aqui no blogue sobre a detenção (durante um ano sem acusação) de um dissidente chinês, veterano de Tianamen, crítico do status quo chinês.

Precisamente no dia de Natal, a 25 de Dezembro, foi notícia na imprensa internacional o resultado do julgamento de Liu Xiaobo, condenado a 11 anos de prisão e mais dois de perda de direitos políticos. A acusação foi clara: "incitamento à subversão do poder do Estado." Este julgamento durou alguns dias apenas, foi criticado por alguns países ocidentais e não pôde contar com a presença de jornalistas para fazerem o relato do mesmo.

A China clama que todos os outros países estão a meter-se em assuntos que são da sua soberania e jurisdição e ignora as críticas lançadas por vários líderes, tanto europeus, como dos Estados Unidos.

A pena, que poderia ir até os 15 anos de prisão, é ainda assim a mais pesada dos últimos anos para crimes deste género. Daí se possa concluir que o regime não esteja para abrandar na pressão que exerce junto da sociedade.

Como refere Jane Macartney, correspondente do Times na China, "o partido revela um medo quase patológico do seu próprio povo. Que ele possa ter medo de um professor de literatura de 53 anos virtualmente desconhecido entre os seus 1,3 biliões de conterrâneos é uma demonstração de fraqueza." E é-o, efectivamente. Mas porque o PCC sabe, perfeitamente, o perigo do exemplo, do precedente, da excepção, da fuga e da perda de controlo, num país constantemente ameaçado de desintegração.

Mas simultaneamente, como diz o mesmo autor, revela um sinal de auto-confiança, uma vez que se mostrou capaz e inabalável perante as críticas e os apelos das potências ocidentais. Parece uma China cada vez mais consciente do seu lugar de terceira potência mundial, que também lança as cartas na cena internacional, como foi visível em Copenhaga.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Bom Natal!



A todos os leitores e em especial aos seguidores do Internacionalizzando, os votos de um óptimo Natal!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A caminho da UE


Todos sabemos que os caminhos para a UE são muito diferentes: uns chegam lá, outros não; uns demoram uns meses, outros anos.

A Croácia acabou de encerrar mais uns quantos capítulos nõ seu processo de adesão à União Europeia - deve dizer-se que este país tem feito um grande esforço e os resultados estão à vista nos documentos oficiais da UE, nomeadamente nos relatórios do alargamento e nas estatísticas. Por isso mesmo, a sua adesão deve efectivar-se já em 2012.

A Sérvia iniciou o seu processo de adesão. O caminho dos sérvios parece-me bem mais longo e, para mim, não o alcançarão antes de 2015, a correr tudo muito bem. Problemas de minorias e questões étnicas, Direitos Humanos, uma história mal resolvida e um barril de pólvora que pode não estar assim tão longe de um rastilho pronto a acender-se; o Kosovo é outro dos calcanhares de Aquiles deste país balcânico, a par de variadíssimas outras questões. Mas o seu caminho começou.

E enquanto a Sérvia se inicia nestas andanças e a Croácia dá passos de gigante em direcção aos 27, já a Turquia continua com os seus pequenos passos de bebé. Abriu recentemente o capítulo do ambiente, que é muito complexo e consumirá muito tempo. A questão turca é especialmente delicada: há décadas que esperam a luz verde, há anos que se esforçam por melhorar a sua situação, mas o contexto não é o mais propício. Para além de não conseguirem resultados brilhantes, atendendo à sua própria natureza, o interesse político é escasso e a UE tem conseguido adiar ad eternum a sua adesão. Os EUA promovem-na, mas a Alemanha contraria-a. A Europa está dividida, quer em termos de elites, quer em termos de população. O risco é ter uma Europa islamizada (ainda que demorada) ou muito deslocada para Leste. Para mim, talvez ainda pior, seja ter uma Turquia que se canse de ser moderada, que veja o sucesso dos vizinhos radicais e que se torne extremista mesmo ali às portas da União.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Presidente DJ

Talvez por andar a fazer investigação sobre o Afeganistão, talvez por estar a ler o "State Building" do Fukuyama, talvez por ter escrito um post sobre a Somália ou talvez mesmo pelo exotismo da situação, não resisto a comentar uma notícia do jornal Público online de ontem.

Trata-se da situação no Madagáscar - além de ser o nome de um divertido filme de animação, este é também o nome de uma grande ilha que se situa na costa Este africana.

Em três dias, Madagascar teve três Primeiros-Ministros. O originador da façanha é um antigo DJ, que enriqueceu rapidamente, e que, com os seus frescos 35 anos, através de um "mal disfarçado golpe de estado", como diz o mesmo artigo, alcançou a Presidência da República.

Para quebrar a gravidade da situação, arrisco-me a dizer que a população madagascarense está na vanguarda da modernidade, com um presidente malgaxe cheio de pinta... Let's Rock!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Somália - o novo Afeganistão?

Quando pensamos na Somália, inevitavelmente, surge a imagem dos piratas e de todo o esforço internacional para tornar aquela faixa marítima mais navegável e segura. O que raramente associamos a este país é a guerra contra o terrorismo.

A Somália é um estado à beira do colapso. O seu governo pouco mais influência tem do que na área da capital e, mesmo assim, não foi o suficiente para impedir um ataque a um hotel e matar uns quantos ministros, causando o caos e disseminando o medo por entre a população que se julgava mais segura naquele local do país.

Na Somália, al-Shabaab é o nome do grupo equivalente à al-Qaeda no Afeganistão. E são eles que controlam o restante território somali, tendo desenvolvido uma actividade extraordinariamente intensa de ataques bombistas e outras acções terroristas e de boicote ao governo oficial do país. São fundamentalistas islâmicos, aplicam a Sharia com rigor e, desta forma, a Somália está a tornar-se um paraíso para os terroristas, um país ingovernável, uma escola para a nova geração de fundamentalistas jihadistas.

Esta opinião, como constata um artigo do Times Online, é partilhada por muita gente e por governos ocidentais que começam a preocupar-se a sério com este país. A sua história é conturbada e o caos é quem verdadeiramente tem governado no país, onde forças oficiais, islamistas radicais, senhores de guerra e outros grupos paramilitares lutam entre si e destroem todo o país, que enfrenta uma muito séria crise humanitária.

Um estado falhado, um ninho de terroristas, um inferno para a população, uma dor de cabeça para o Ocidente, a Somália vai começar a entrar na agenda mediática internacional.

Será ela o novo Afegansitão?

domingo, 20 de dezembro de 2009

Novo governo de Karzai

Hamid Karzai tinha que escolher um governo para a sua nova legislatura, tendo em conta tanto as pressões domésticas como as internacionais. E, ontem, apresentou-o.


O cabinete será composto por 23 ministros, dos quais 11 eram já membros do governo anterior, nomeadamente aqueles das pastas-chave, como é o caso do Ministro do Interior ou o da Defesa; só há uma mulher no grupo, a que assume a Condição Feminina.

Este governo, muito na linha do anterior e sem a previsão de alterações de fundo na sua política, é apoiado pela comunidade internacional, entenda-se os Estados Unidos, uma vez que me parece que é melhor continuar com um grupo de homens já conhecidos e que não levantam muitas ondas, a inovar e arriscar-se a algumas surpresas.

O problema central no Afeganistão é, em termos de estruturas e de autoridade, a corrupção. Esta é a palavra que aparece em todos os relatórios que li sobre o país e a guerra e é um dos grandes campos de batalha dos Estados Unidos na sua luta contra a al-Qaeda. Vou tentar não me esquecer de reflectir sobre este tema num dos próximos posts.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

*Reset*

Segundo uma notícia do jornal Público online de hoje, o acordo nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia já foi redigido e concluido entre os negociadores dos dois países. Faltam apenas pequenos "pormenores" relativos aos cortes nos arsenais, que serão discutidos pelos dois Presidentes, num encontro à margem da Cimeira de Copenhaga. Isto acontece dias depois de ter expirado o acordo START 1, assinado entre George Bush pai e Gorbachov.

A política externa americana de Obama, como penso que já referi por aqui, é bastante mais multilateral do que a de Bush, como é evidente - independentemente das motivações e dos contextos de ambos. E esta aproximação à Rússia é fundamental para o concerto europeu. Não se pode, por mais anti-Rússia que se seja, ignorar o peso deste país no sistema internacional - é uma potência nuclear, energética, demográfica e geográfica. São dados completamente essenciais e que consolidam a sua posição no mundo - há que não ignorar um actor como este. E no que toca a relações sobre o nuclear (assim como em algumas outras também), o ambiente entre ambos tem sido de cordialidade e cooperação, como é desejável.

O "reset" que Clinton promoveu logo no início do seu mandato está de facto a funcionar. O corte das ogivas estima-se em cerca de um terço. Aguardemos pelos resultados finais.